sexta-feira, 10 de abril de 2015

Oslo – Uma cidade no meio do parque

Nossa chegada a Oslo se deu de forma estranhamente delicada. Não vimos a pior parte da cidade, como é comum, quando se chega a uma cidade grande, como construções velhas, ou fabricas desativadas, etc, pelo contrário, ainda estávamos nos deleitando com um cenário verdejantemente bucólico, com casinhas coloridas e rios margeando a estrada, quando de repente, aparece a  cidade. Simples assim.
Apesar de Oslo ser a capital e a maior cidade da Noruega, é comparativamente pequena em relação a outras capitais    europeias, o que é uma vantagem, pois nos permite conhecê-la mais amplamente.










 O cais de Oslo é chamado doca Oslofjord , um dos locais mais charmosos da cidade, onde vi pessoas dançando, ao som de música melodiosa, alegre e vibrante, como se lá fora um salão de danças. Impressionante! O sol, por aqui, é venerado,  lembrando  que estamos em Oslo, em pleno verão, então as pessoas estão muito felizes, radiantes mesmo. O inverno aqui  tem temperaturas sempre muito abaixo de zero, que deve dificultar em muito a vida dos cidadãos . Em frente as docas ficam os restaurantes, bares e  cafés, charmosos e sempre lotados.


 Entre as atrações que a cidade nos oferece, uma delas é admirar a obra do famoso pintor Edward Munch, que está exibida na Galeria Nacional de Oslo. Estou me referindo à tela O Grito. Foi muito importante tê-la visto pessoalmente. A obra representa uma afigura andrógina em um momento de profunda angústia e desespero existencial. Seu estilo é expressionista, foi pintada em 1893. A figura central está justamente na doca Oslofjord, ao pôr do sol, exatamente naquele píer  pelo qual passeamos. Identifiquei assim que vi. As cores fortes, e o sentimento de desespero que a tela nos passa é incrível. Esta obra adquiriu um estatuto de ícone  cultural, comparado a Monalisa. Foi emocionante admirá-la.



Emocionante também, foi visitar o Centro Nobel da Paz que funciona em um prédio de uma antiga estação de trem vitoriana, no coração de Oslo, com uma exibição de alta tecnologia da vida, trabalho e filosofia dos premiados com o Nobel. Interessante, que aqui, é conferido apenas o premio nobel da Paz, pois os outros prêmios , são conferidos na Suécia, logo ali, sua vizinha. Os prêmios Nobel são atribuídos àqueles que durante o ano anterior tenham prestado um valioso contributo à humanidade nos setores da Física, da Química, da Fisiologia e Medicina, da Literatura, da Paz e da Economia.




 

 Percorremos várias vezes a movimentada Avenida Karl Johan Gate, com seus jardins, cafés, intenso comércio, restaurantes. Nas calçadas dos jardins de Oslo, estão escritas várias frases das peças do autor Ibsen, famoso em todo o mundo por suas peças teatrais, em especial “Casa de Bonecas”. Essa peça começou a ser escrita em 1878 e foi concluída em 1879, sendo representada pela primeira vez no “Det Kongelige Teater em Copenhague. A peça foi encenada nos principais teatros escandinavos provocando muitas polêmicas, mediante o teor, que denunciava a exclusão das mulheres na sociedade burguesa. Com essa peça, Ibsen passa a ter destaque dentro e fora da Escandinávia.

A peça é um drama em que Ibsen questiona as convenções sociais do casamento, retratando a hipocrisia e convencionalismos da sociedade do final do século XIX.
 



Outras atrações também nos encantaram: a catedral de Oslo foi construída em 1697. O Parlamento tem uma fachada de tijolos amarelos inconfundível. É chamado de Stortinget. Também admiramos a arquitetura barroca do Teatro Nacional. Oslo é a cidade mais cara do mundo. Aqui, tudo custa 50% a mais do que em outras cidades europeias, principalmente comida. As pessoas ganham bem,  a vida é muito cara, mas ninguém reclama, pois os impostos são usados  para o bem da população.


Não esperava encontrar os descendentes dos vikings, ao dobrar as equinas da cidade, porém,  observando bem a população,  observei rapazes e moças loiríssimos, altos, com aparência saudável. O cenário humano impressiona pela simpatia, educação e alegria, talvez por estarmos no verão... O garçom que nos atendeu em um dos restaurantes na orla do cais, o tal super charmoso, era um perfeito representante nórdico: alto, loiro, olhos azuis, e ainda usava um lenço vermelho  “a La pirata” na cabeça. Talvez, um representante longínquo dos vikings.  Mas foi a sua simpatia que impressionou. Ao perceber que falávamos uma língua estranha a ele, aproximou-se para saber a nossa nacionalidade.  Ele pensou que éramos espanhóis. Ao lhe dizer que somos brasileiros, o rapaz ficou super interessado, com vários questionamentos, quis  saber como foi o movimento brasileiro contra a realização da Copa do mundo no Brasil, pois vira na mídia as manifestações populares acontecidas em nosso país. Sabia sobre as eleições, sobre nossas políticas públicas e o choque das desigualdades sociais. Imaginem tudo isso, inesperadamente, vindo de  um rapaz que depois se disse sueco e não norueguês, ( o que importa?)  interessado nas questões sociais do Brasil. Conversamos, é claro, em inglês, pois norueguês, nem pensar, e ele ficou bem empolgado ... disse que seu sonho é ir para o Brasil, mais precisamente, para o Rio de Janeiro. A comida deixou a desejar, mas o papo foi nota 10!


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