segunda-feira, 21 de julho de 2014

A vermelha, Douta e Gorda Bolonha



Estamos viajando pela Itália, mais precisamente, por seu interior onde cidades  encantadoramente medievais, como Bolonha, nosso destino,  continuam mantendo o clima mágico, bucólico, simples e ao mesmo tempo sofisticado. Cidade histórica que me fez sentir muito bem acolhida.


Meus conhecimentos sobre esta bela e fascinante cidade da região da Emília Romana, resumiam-se à sua fama de possuir a primeira universidade do mundo, que adorei conhecer,  a arte e a cultura, que posso comprovar a cada passo que percorro, nestas calçadas cheias de pórticos ornamentados de bandeiras coloridas.


Bolonha é vermelha, por conta da cor terracota  de seus telhados e prédios. O centro histórico é lindo com suas construções que lembram uma antiga cidadela. Ela foi conhecida, no passado,  pelas torres, pois na época, século 12 e 13, haviam mais de 180 delas. Por isso nos coloca a impressão do novo e do antigo por ser também  uma das cidades italianas mais modernas e avançadas da Itália.




Bolonha também é Douta, porque é nela que está a primeira  universidade do mundo, onde estudaram Dante Alighiere e Copérnico. Só este fato já era suficiente para me provocar  arrepios de emoção, quanto mais  caminhar por seus corredores tão respeitados e famosos. A princípio, a universidade começou a receber muitos estudantes, porém, não havia lugar suficiente para tantos interessados. Os prédios, então, receberam extensões em cima das calçadas. Assim foram criados os famosos pórticos através dos quais, os moradores, e muito mais, os turistas, se encantam realizando longas caminhadas. Esses pórticos são lindos e misteriosos e  protegem as pessoas do calor, da chuva e  da neve.


Bolonha também é conhecida como La Grassa, quer dizer, a Gorda, pois é frequentemente descrita como um dos polos gastronômicos mais procurados e irresistíveis da Itália. Foi dentro das paredes vermelhas da cidade que foi inventado o famoso molho bolonhesa, por aqui  é conhecido simplesmente de ragu,  e a lasanha também. Experimentamos vários tipos de massas, todas deliciosas.


O  conjunto da cidade, agrada muitíssimo. Graciosas ruas, e um clima muito gostoso no ar, de cidade que se pode andar, ou ficar em restaurantes sem grandes preocupações.


Jantamos na  Piazza Maggiore onde fica a Fonte de Netuno, que é um dos  locais mais charmosos, onde se agregam moradores e turistas no fim de tarde. A basílica de San Petronio e o City Hall também fazem parte da praça. O cenário é lindo!  Jantamos ao ar livre e tivemos uma experiência ímpar, para nós, pois presenciamos uma cena a princípio temerosa, porém, ridícula e engraçada: tentativa de furto, ali pertinho de nós. Um homem surgiu do nada, do escuro dos pórticos próximos, e se instalou bem atarás de uma das mesas que estavam ocupadas por um grupo bem grande de jovens. A garçonete, vendo a conduta inapropriada do homem, por três vezes,  solicitou seu afastamento, mas ele ignorou, e num fechar de olhos, furtou a bolsa de uma das garotas dessa mesa. Até aí nada demais, principalmente, para nós, infelizmente, acostumados a esse tipo de situação. O que surpreendeu foi a conduta da vítima que saiu correndo atrás do homem, desapareceram, os dois, no escuro do pórtico, para logo após, vermos ela socando o homem, recuperando a bolsa, e ele saindo correndo acuado. Em momento algum foi ajudada pelos muitos rapazes do grupo. Ela voltou calmamente para a mesa, de posse de sua bolsa, e  a vida continuou. Moral da estória: em Bolonha, os gatunos são  apenas oportunistas, e amedrontam-se com a reação da vítima. Eles não são violentos, (mas as vítimas são...) e os rapazes não se mexeram porque sabiam que a colega daria conta do recado. Teve lá a sua graça.


 Curtimos muito a praça de Netuno e realizamos uma visita interna na Universidade. A Fontana Del Nettuno é uma obra do século 16. Esse conjunto arquitetônico  possui a Basilica di San Petronio e os palácios: Palazzo d’Accursio (ou Palácio da Comuna), o Palazzo del Podestà, o Palazzo Re Enzo e o Palazzo de’ Banchi.




Partindo da praça avistamos as duas torres Asinelli e Garisenda.  A Torre Garisenda (48,16 metros de altura) e a Torre degli Asinelli (97,20 metros), ambas construídas com função militar, de ostentação de nobreza.


Existiam muitas outras torres na cidade medieval como símbolo de poder das famílias mais ricas e meio de defesa e ataque entre elas, rivais durante o período da luta pelo poder. Outras torres mais baixas (definidas “casas-torres”) tinham, por sua vez, uma função habitacional. No decorrer do século 13, muitas torres foram abatidas ou desmoronaram. Eram utilizadas como cárceres, torres cívicas, habitações ou lojas.


 


 




 


 


Quem desejar subir os  quinhentos degraus da  Torre degli Asinelli  chega ao topo dos seus 97,20 metros, de onde se tem um linda vista  de toda a cidade e da colina de Bolonha.  Nós não subimos, porém quem o fez garantiu que valeu à pena, pela impressão de estarem em um castelo pela sua arquitetura, que permaneceu intacta, seus  alçapões e escadinhas de madeira. Majestosa é a   Basílica de São Petrônio, edificada entre os séculos  14 e 17.  O portal de entrada é adornado com esplêndidos baixos-relevos   e,  na entrada, pode-se admirar uma meridiana (relógio de sol) de 1655.


 


 




 


Caminhando em direção leste, chegamos na praça Galvani, onde está o Palazzo dell’Archiginnasio, sede da Universidade de Bolonha instalada entre 1563 e 1803. A riqueza histórica e decorativa é notável.




 


Paredes e tetos totalmente cobertos com cerca de 6000 brasões heráldicos de estudantes, pertencentes a famílias mais nobres da Europa, abrigando o famoso Teatro Anatômico, de 1637, uma sala dedicada ao estudo da anatomia em forma de anfiteatro.








Saindo da Universidade, fizemos uma incursão pela maravilhosa Galeria Cavour, na Via Farini, para admirarmos as variadas  lojas das marcas mais importantes do mundo.




Bolonha possui muitos palácios, todos belíssimos e importantes, como o O Palazzo del Comune, que sobre sua  fachada está instalada uma esplêndida escultura em terracota dourada e policroma representando “Nossa Senhora com o Menino Jesus. O  Palazzo del Capitano del Popolo, um outro símbolo histórico da época comunal, o  Palazzo del Podestà, cuja construção iniciou em 1200, o Palazzo Re Enzo, edificado em 1245 e o  Palazzo della Mercanzia. A poucos passos dali,  chegamos ao Conjunto de Santo Estêvão, também conhecido como as Sete Igrejas de Bolonha (Sette Chiese). De origem românica, o conjunto nasceu da união dos pátios e pórticos de sete igrejas e capelas. Caminhando um pouco mais, chega-se aos Giardini Margherita, um dos maiores e mais encantadores  parques de Bolonha, que toma o nome da esposa do rei da Itália, Umberto I.


 




Todo o centro histórico oferece ruas cheias de lojas de todos os tipos, as bem sofisticadas, como Via Farini a Via Ugo Bassi, a Via Indipendenza e a Via San Felice. Porém para sentirmos o clima nativo da cidade,  existem os mercadinhos ao ar livre, por onde passeamos e conhecemos os vários tipos de embutidos, pães, verduras, legumes, frutas e flores, nacionais, que inundam o ar com seus sabores e perfumes.




Muito mais há em Bolonha, coisas e locais interessantes para explorarmos. Até mesmo nosso hotel é uma surpresa, pois foi construído sobre uma via em ruínas. Aliás, nosso primeiro passeio foi conhecer o subsolo do hotel, que guarda uma parte da via preservada, fato bastante inédito para a nossa cultura, porém bem comum nesta cidade, talvez em grande parte da Itália. Próximo destino:  Pistoia.