segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arles, de Van Gogh, loucura, arte e beleza...

Chegamos a Arles em uma tarde alegre, pintada com cores vibrantes, com matizes de dourado. No ar, um fragância  de lavanda.
Arles está envolvida por um ambiente de beleza excepcional nas margens do rio Ródano, rodeada pelo árido planalto do Crau, pelos Alpilles e pelas terras úmidas da Camarga.
Antiga cidade da Gália Romana, data do Século 7 antes de Cristo e conserva importantes vestígios desta época como a Arena, o Teatro e os Banhos Romanos de Constantino. Estes vestígios Romanos estão perfeitamente integrados no casario da cidade que ainda apresenta ruas tipicamente medievais.  Arles é a porta da Camarga, terra dos Ciganos. Hoje as Corridas de Touros e Touradas são feitas na mesma arena usada há 2000 anos pelos romanos.

Arles é tambem uma cidade de festivais, arte e cultura. Van Gogh esteve lá com o seu amigo Paul Gauguin e pintou 200 quadros. Picasso, um amante de touradas, inspirou-se nela e pintou 2 quadros e 57 desenhos.
Imediatamente, Arles me encantou.  Na verdade, nunca ouvira falar dessa cidade.  No entanto, fui arrebatada por sua história, suas cores, as construções milenares expostas a céu aberto, como um troféu daquele povo.
“As Arenas de Arles e Nîmes, em França, são os dois exemplares de arenas do mundo romano que ainda se encontram em melhor estado de conservação. A arena de Arles poderá datar da época de Augusto. A de Nîmes é uma das que se inspiram no Anfiteatro de Flávio em Roma (Coliseu). É possível estabelecer uma ligação entre os dois edifícios, ambos erigidos durante a segunda metade do século I a. C., pela sua estrutura exterior e pelas suas dimensões. Estão integradas num conjunto classificado pelo Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981 e designado Monumentos Romanos e Românicos de Arles.”
A guia Mary nos levou até o anfiteatro.



Inspirado no Coliseu de Roma, construído pelos romanos em 90, a Arena de Arles é a maior atração turística da cidade. Na época do império romano, era palco de corridas de carruagem, e sangrentas batalhas de gladiadores.
A foto dos corredores e escadas, foram tiradas, exatamente, do local, onde, no passado, os gladiadores caminhavam, talvez, pela última vez, rumo a sangrenta luta.
Este foi um dos ponto altos da visita a Arles. O outro, foi o café que Van Gogh freqüentava. Segundo Mary, naqueles tempos, pela manhã, aconteciam as lutas de gladiadores contra leões, e à tarde, contra outros gladiadores. Estas atividades, eram consideradas alta diversão para o povo.

Quando Napoleão III foi imperador, sua esposa tinha linhagem espanhola; pediu ao marido que transformasse o anfiteatro, em arena de corrida de touros, onde os mesmos eram sacrificados com as manobras dos toureiros.
Caminhamos pela bela Arles, ouvimos sua história na praça principal. Porém o que mais me arrebata nesta cidade, é o clima de arte e cultura que os famosos pintores do início do século 20 emprestam  a cada rua, esquina, café, jardim. Ninguém menos que  Gauguim, Paul Cézanne, Picasso, e o próprio Van Gogh foram os mais célebres personagens da cidade. A dramaticidade da história de Van Gogh me sensibilizou muitíssimo. A história de sua vida é bastante conhecida, e ganha contornos irresistíveis, quando nos vemos sentados no café  em que pintava seus famosos quadros, ou quando visitamos o hospital que o abrigou, ou mesmo só em apreciar os vastíssimos campos de flores e vinhedos da Provence.  O café que ele freqüentava mantém-se intacto, só mudou o nome, de Terraço , para Café Van Gogh,. Foi um prazer enorme posar em frente deste café, que tem o quadro do grande pintor, retratando o próprio café. Emocionante.
A pintura é conhecida por  O terraço do café”, na Place du Forum.

É uma pintura a óleo colorido executado pelo artista holandês, em uma tela preparado industrialmente de tamanho 25, em meados setembro 1888.  A pintura não está assinada, mas é descrita e mencionada pelo artista em suas cartas em várias ocasiões.
Ainda hoje, os visitantes  podem tomar o lugar no canto nordeste da Place du Forum, onde o artista montou seu cavalete, e sentir-se parte daquela paisagem tão real.
Vincent Willem van Gogh nasceu em  30 de Março de 1853. Foi um pintor pós-impressionista neerlandês, freqüentemente considerado um dos maiores de todos os tempos. Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, cometendo suicídio. A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. Van Gogh é considerado um dos pioneiros na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas frentes da arte do século XIX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstracionismo.”

Também visitamos  o hospital em que ele foi tratado, local que inspira calma, muito florido, atualmente local revitalizado, com muitas lojinhas de artesanato. Comprei uma camiseta com a estampa do quadro “os girasóis”.
O quadro abaixo, está  afixado em um cavalete, no pátio do próprio hospital. Foi muito impressionante estar presente em Arles, conhecer a história de Van Gogh, sentir até a presença  que o seu espírito empresta nesses lugares onde sua passagem foi tão marcante.
Há pessoas que apesar de terem um vida curta, e “sem importância” aos olhos dos mais insensíveis, ressurge de tal forma, pela força de sua arte,  reconhecida pela humanidade, que penso que,  uma criatura que viveu   36 anos, torturada por uma doença mental,  e que acabou  dando cabo da própria vida, nos inspira  pensarmos, em conceito de loucura...


Hospital onde Van Gogh ficou internado

Ao retornarmos ao hotel, cujo nome é Julius Caesar, como de costume, gosto de acompanhar notícias locais, e programas de televisão. Estava passando na TV da suite do nosso apartamento, um documentário com Jean Paul Belmondo, o famoso, e já idoso ator frances. Ele está participando do Festival de Cinema em Cannes, cidade vizinha a Arles. O programa foi super legal. Relembro antigos filmes vistos durante minha adolescência,  que me fizeram voltar ao passado,  me conectando, ao mesmo tempo, a este tão presente momento em Arles. Belmondo está muito elegante, continua charmoso,  rico,  com belas e jovens mulheres ao seu lado.
Amanhã, partiremos para Saint Tropez.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nimes: Cidade francesa de Antiguidades Romanas

Pela manhã, saída em direção à Nimes, conhecida cidade por suas antiguidades romanas. O dia está bonito e quente. Ficaremos em França durante vinte e três dias, e estamos nos envolvendo com esse país, que é único em  cultura e história. Essa região é produtora de sabonetes artesanais muito bons, compramos vários para experimetá-los. 
A primeira atração que visitamos, em Nimes, foi o Jardim de La Fontaine,com sua nascente que borbulha, e  as ruínas de Diana.

Nimes nasceu à volta de uma fonte onde as tribos primitivas se refrescavam e matavam a sede. Numa terra árida, essa fonte era uma benção, e o local foi divinizado.
É no período Romano que Nimes tem o seu passado mais glorioso e a cidade tornou-se colônia romana com a sua própria autoridade, com construções magníficas como a Tour Magne, Maison Carré, Theatre, Templo de Diana, o Aqueduto e o Anfiteatro.

O Anfiteatro  tem grande  importância para Nimes,  e,  é o melhor conservado da Europa. É aqui, que tem origem os famosos JEANS também chamados BLUE DENIM (de Nimes).
Nimes é o local ideal para observar e estudar a arquitetura romana.

É agradável fazer um passeio a pé, nesta cidade, começando nas Arenas, passando pela Maison Carré e descendo o Quai de La Fontaine até ao Jardim de la Fontaine, considerado um dos mais belos jardins da Europa.


A Arena de Nimes é um anfiteatro romano situado na cidade. Edificado no ano 27 AC., na atualidade encontra-se remodelado e utiliza-se como Praça de Touro spara a celebração de corrida de touros desde 1863 (as Arenas de Nimes são a sede de duas feiras taurinas por ano). Também é utilizada para outros tipos de espectáculos, como apresentação de óperas.
O recinto tem forma elíptica com 133 metros de comprimento e 101 metros de largura. Está rodeado por 34 arquibancadas, sustentadas por uma construção abobadada. A sua capacidade é de 16.300 espectadores e conta com uma cobertura móvel e um sistema de climatização desde 1989.
A cidade de Nimes é charmosa, com ruas muito limpas, com muitos restaurantes, com mesas externas, ruelas medievais, repletas de lojas famosas, ( a L’Occitane é constante em quase todas as cidades desta região), algumas lojas  modernas, outras nem tanto.
Nimes foi só uma parada de almoço.
Seguimos viagem para Arles, a badalada e perfumada região da Provence, exaltada por Van Gogh.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Carcassone –  Reis, Damas e Cavaleiros – Um reino de eterna magia...



Carcassone é a cidade medieval murada melhor  preservada da Europa. Situada no sul da França, ela é o típico lugar que as pessoas só acreditam que ainda existe, quando chegam lá e vêem  por si mesmas. À medida que suas torres, e sua grande muralha externa, se tornavam visíveis e cada vez mais próximas, nossa emoção e espanto se tornavam cada vez maiores.  Era como se o passado tivesse surgido de repente, após uma curva da estrada e era difícil acreditar que tudo aquilo existia mesmo, como se,  o que só  pertencesse  aos livros de história e filmes pudesse estar bem ali na nossa frente.
Percorremos 400 km de Rocamadour a Carcassone. Nosso hotel é bem próximo à cidade, e nos apressamos muito em nos acomodarmos, para começarmos imediatamente a nossa caminhada para aquela cidadela, pois ela é tão atraente, que eu não queria esperar nem um minuto sequer.
O fato de chegarmos ao anoitecer, só concorreu para embelezar ainda mais o cenário  mais impactante que já vi.  Nada se assemelha  ao que vimos. O filme  Robin Hood, de Kevin Costner, teve como cenário as muitas muralhas de Carcassone.
À noite,  Carcassone se transforma, e assume um aspecto ainda mais dramático. Suas ruelas escuras, o calçamento de pedra, rampas e torres que conduzem a lugares desconhecidos, portinhas estreitas, janelas semi iluminadas, arcos, portais, luzes e sombras criam uma atmosfera mágica. Carcassone à noite é maravilhosa. A noite estava linda, céu negro prateado, com uma lua  magicamente posicionada entre as muralhas. Incrível!! O jantar foi em um restaurante com  decoração  medieval. A comida ótima, boa conversa regada a um bom vinho, com alguns amigos.
Pela manhã, encontramos com Jonh, um senhor francês que fala um espanhol bem compreensível, ele é o nosso guia. Contou-nos detalhadamente, a história da cidade, que é incrível. Desculpem-me aqueles que não gostam de história, mas ela é imprescindível para o entendimento de sua preservação.
A cidade conheceu tribos gaulesas,  e depois romanos e mais tarde passando pelos visigodos, sarracenos, francos, diversos senhores feudais, e os reis da França.
Muitos povos contribuíram para o crescimento, fortalecimento e história de Carcassone. A célebre frase: "Matem todos, Deus saberá quem são os seus." Foi pronunciada pelo monge Arnold Amaury, no momento em que a matança  com  tantas guerras estava descontrolada. Todos desconfiavam de todos naquele tempo, então  os poderosos, na dúvida, mandavam matar a todos, sem misericórdia, pois achavam que Deus saberia separar os ”bons” dos “maus”.

A história de Carcassone está também muito ligada ao Catarismo, uma seita cristã politeísta, surgida na região de Languedoc, em fins do século XI. Os adeptos desta religião, conhecidos como Cátaros, tinham sua própria interpretação das leis divinas, muitas delas conflitantes com o que pregava a igreja católica. Além disso,  acreditavam que os homens não precisavam de intermediários para se dirigir à Deus, portanto não reconheciam a autoridade do Papa ou de seus bispos. Acreditavam também, entre diversas outras coisas, que  todas as pessoas vivas tinham como objetivo evoluir através da expiação de suas faltas, e que levando uma vida dedicada ao bem e progredindo sempre, o que seria atingido através de sucessivas encarnações, um dia teriam direito a chegar ao paraíso.
A igreja católica não aceitou tal situação, declarou que os moradores de Carcassone eram todos hereges e decidiu dar um basta àquela história toda, convocando os cruzados para invadir a cidadela, acabar com os Cátaros e dar um fim àquela doutrina.
Seguindo a ordem Papal, foi organizado um exército de cruzados, que se dirigiram a Carcassone, tomaram e invadiram a cidade. Conta-se que os cátaros guardavam, entre seus mais preciosos bens, o cálice que Jesus teria usado na última ceia, conhecido como Santo Graal, e que antes da cidade ser invadida pelos cruzados, alguns Cátaros conseguiram escapar, levando com eles o Santo Graal.
Após invadir Carcassone, os cruzados tinham ordem de impor aos cátaros o catolicismo. No entanto, praticamente todos se recusaram a abandonar sua fé e foram condenados à morte na fogueira.  Mesmo assim as idéias religiosas dos cátaros não desapareceram, como pretendiam os cruzados, e muitos de seus conceitos de fé podem ser encontrados atualmente em outras religiões, como aquelas difundidas por Allan Kardec em seus livros espíritas.
Entre os pontos mais visitados de Carcassone estão o Portão de Narbonne, a Torre da Justiça, e a Torre da Inquisição. Visitamos, também, o castelo, construído no ano 1130,  a Basílica de Saint Nazaré e a torre da prisão.
A parte mais antiga de Carcassone foi construída no século IX, sendo depois aumentada nos séculos XII e XIII. Foi o rei francês Luis IX, da dinastia dos Capetinos e que entraria para a história com o nome de São Luis, que em 1240 teve a idéia de construir uma segunda linha de muralhas em torno de toda a cidade, pois assim eventuais atacantes precisariam romper duas  barreiras em vez de apenas uma. A eficiência desta defesa foi tão grande que durante a guerra dos cem anos com a Inglaterra, quando os Ingleses chegaram até o sul da França, eles conseguiram atear fogo à torre mais baixa de Carcassone, mas não conseguiram realizar seu intento principal, que era entrar e dominar a cidadela.
Após tantos séculos suportando combates, guerras, cercos, cavaleiros cruzados, Carcassone foi praticamente abandonada. Ela não tinha mais importância militar nem política. A cidade baixa, situada logo do outro lado do rio (também chamada Carcassone), ganhava importância à medida que a cidade medieval (Cité de Carcassone) perdia.
Somente a partir do século XIX começou a surgir a consciência a respeito da importância da preservação dos lugares históricos do país, dentre eles Carcassone. A cidade, completamente arruinada, passa a receber as primeiras restaurações, da qual participaram nomes famosos como Prosper Mérimée e Eugène Viollet-le-Duc.
A aparência medieval de Carcassone, se restringe, mesmo, a parte externa da cidade,  pois o seu interior apresenta tudo que qualquer outra cidade turística tem: muitos restaurantes, lojinhas, recantos aprazíveis, muito artesanato  de sabonetes, saches, temas medievais, roupas de banho, cozinha, muitas estatuetas de cavaleiros, inclusive a távola redonda inteira, com direito ao Rei Artur e Lancelot. Tudo muito delicado e lindo...
Subimos e descemos as ruas estreitas, várias vezes, descansamos sob uma árvore, em um banco de praça, apreciando o movimento,  deixamos o tempo passar, observando as pessoas, turistas com certeza, diferentes em vários aspectos, muitos adolescentes, ( iguais a quaisquer outros, barulhentos,  felizes, apressados), idosos elegantes, degustando vinho. É nesses momentos de imensa paz interior, em companhia de meu marido, sentados sob a sombra de uma árvore na França, Carcassone, tão longe da minha casa, que avalio como essa viagem é importante para mim, pois aqui tenho a verdadeira noção do que é a vida, sem correrias, sem as restrições que o trabalho nos impõe, a luta pela sobrevivência, as preocupações familiares, tudo enfim, parece  se misturar e desaparecer  em um mundo paralelo, que no caso representa os 335 dias do ano comum. No entanto esses 30 dias em que me afasto da realidade são  tão verdadeiros, me preenchem com tanto combustível de vida,  que passaram a ser indispensáveis. São momentos libertadores...
Deixamos essa  bucólica paisagem, pegamos nossa bagagem de lembranças, e tomamos um trenzinho turístico para passearmos pelas muralhas externas da cidade, conhecendo o seu  entorno. Mas hoje é domingo, e o comércio está fechado na cidade normal, e naturalmente, como qualquer outra cidade, as ruas parecem abandonadas.
O cansaço é enorme. Parece que meus pés estão quebrados em três partes, porém o espírito enriquecido muitíssimo.  Decidimos jantar  no aconchego do nosso quarto.
Amanhã partiremos para Nimes.









terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Rocamadour - A convicção do aduaneiro e o amor pelas rochas

Hoje é dia 15 de maio de 2011. Saímos bem cedo do hotel, em Sarlat, após compartilharmos o café da manhã com um grupo de japoneses, ou coreanos ou chineses, ou todos eles, enfim, orientais, alegres e descontraídos. Faz  frio de 7 graus, e um céu azul  maravilhoso. Esse clima é muito aconchegante. Um bom casaco, botas e cachecol são imprescindíveis, transformando nosso visual comum brasileiro, em peregrinos de cidadelas medievais.
São 11:17h, estamos percorrendo estas velhas, velhíssimas terras, nas quais o que mais chamam atenção são as casas trogloditas. Uma fragância de lavanda começa a  invadir nossa atmosfera, e as mais  vivazes cores colorem nossas estradas.
Enfim, seguimos viagem para Rocamadour. Foi esta cidade,  e Carcassone, que mais eu pesquisei  informações, pois elas, são muito famosas e interessantes.
A estrada é estreita, ladeada por rios, vegetação exuberante alternadas com planícies, casas com estrutura que se assemelham a castelos, com criação de patos e gansos no quintal. Paisagem bem prórpia da França interiorana, que me lembra contos de livros infantis .

No meio do caminho, em plena estrada, paramos para apreciar a paisagem, e tirar fotos da cidade de Rocamadour, ao longe, quando podemos vê-la panoramicamente, encrustada na rocha,  vislubrando um conjunto magnífico.

Assim que chegamos nesta cidade legendária, nosso primeiro acesso, foi através de um túnel em curva, super estreito e escuro ( Medo!!) porém nosso motorista é muito experiente. Imediatamente, já senti o impacto de estar em um lugar abençoado. O clima da cidade transmite uma energia envolvente, que arrasta o visitante para mil anos atrás.
O almoço foi na cidade, antes de subirmos as rochas. Eu estava muito ansiosa para ver de perto tudo aquilo que já conhecia, antecipadamente, por textos e fotos. Rapidamente curtimos a comida, apesar de estarmos em um restaurante super charmoso. É muito comum por aqui, os restaurantes oferecerem, em seus cardápios, um escolha que reúne uma entrada, o prato principal e uma sobremesa  com preços, que variam de 9,50 euros a 19,50 euros. O que difere, basicamente, um do outro, é a quantidade. A qualidade é a mesma. Hoje, almoçamos frango com ratatouli, salada verde com salmon e fritas. Um bom vinho nacional. As sobremesas variavam entre saladas de frutas frescas e “ tarte de pomme” (torta de maçã) muito comuns aqui na França.  Mas a ansiedade que sentíamos, quando vislumbrávamos o que nos esperava,  sobre os lindos sombreiros, colocados na área externa do restaurante, não permitia que dedicássemos muito tempo à alimentação.
 Enfim, subimos  Rocamadour, passo a passo, dominando a região. Ruelas estreitas, íngremes, ladeadas de lojas de artesanato, cujo principal produto são minituras de cavaleiros, arqueiros, damas da nobresa, e a incrível virgem negra, e cafés super charmosos. Podíamos escolher entre subirmos a pé, ou tomamos o elevadodor, e alcançamos  o primeiro patamar. Optamos pela segunda escolha.


As peregrinações a Rocamadour, na França, são célebres desde a Idade Média. Segundo a tradição, o santuário foi fundado nos primórdios do cristianismo, por meio de um altar erigido em honra de Nossa Senhora pelo aduaneiro Zaqueu de Jericó, que foi para a Gália após a morte de Cristo. Reza a lenda que a imagem de Nossa Senhora sentada num trono com o Menino ao colo, se esculpiu a si mesma do tronco de uma árvore. (Ual!!)Linda e singela homenagem à Virgem.
Esse Zaqueu, para quem não sabe, é aquele que os evangelhos relatam: o rico cobrador  de impostos que queria ver Cristo, e que, por sua baixa estatura, não conseguia, pois uma enorme multidão seguia Jesus. Por isso, subiu em uma árvore, para  poder melhor ter a visão de Cristo. Tão grande foi o impacto que Jesus causou a este homem, que ele se converteu à nova doutrina que surgia, doou todos os seus bens aos pobres, e passou a pregar em nome  da boa nova.
Mais tarde, Zaqueu mudou seu nome para Amador, de onde provém o título de Nossa Senhora: Nossa Senhora de Rocamadour, isto é, Nossa Senhora da Penha ou Rocha (Roc) de Amador.
 Para alcançar o cume do rochedo, onde está situado o santuário da virgem, há 217 degraus que o peregrino devia outrora subir de joelhos. O santuário é composto de três capelas e a igreja de São Salvador; esta, que data do século XIII, foi construída por cima da cripta de Santo Amador, cavada em 1160, e foi elevada à categoria de Basílica Menor.
Uma segunda escada conduz à capela de Nossa Senhora de Rocamadour, edificada no século XVII, no lugar do oratório primitivo, que tinha sido destruído pela queda de uma pedra.
A imagem antiga, restaurada, está no altar-mor desta capela, rodeada de lâmpadas continuamente acesas.
Antigamente vestiam suntuosamente esta imagem, mas, faz poucos anos, retiraram os ricos vestidos, para que se possa admirar a beleza da antiqüíssima imagem de madeira.
Rocamadour teve de suportar duras provações no decorrer do tempo: alternadamente, normandos, ingleses, albingenses, huguenotes e revolucionários obstinaram-se em devastar esse santo lugar de peregrinações; porém, houve sempre, em todas as épocas, fiéis generosos que se prontificaram a levantar novamente o santuário, de modo que de geração em geração chegou até nós a devoção a Nossa Senhora de Rocamadour, que, segundo relatos,  tantos milagres tem operado em favor dos que a ela recorrem.
Personagens ilustres e mesmo reis da França e de Castela, até o rei S. Luiz, iam rezar em Rocamadour, que era um dos grandes santuários de peregrinações de penitência. Hoje,  somos nós que estamos orando à Virgem, e agradecendo a oportunidade de aqui estarmos, caminhando no solo que Zaqueu  carregou a imagem da santa. Sua origem se    confunde com a implantação do cristianismo na Gália.
A peregrinação principal é em 8 de setembro, no entanto,  o local estava muito cheio de turistas, que passeavam pelas ruelas e  escadas.
As fotos  demonstram a beleza rústica da igreja. O altar simples e imponente. O centro da nave, super simples, cadeiras comuns, e um local , tipo mezanino, cravado na rocha. Rocamadour é toda rocha, rocha inteira, e incrivelmente impactante. A simplicidade ao lado da grandeza mística e histórica do local é uma combinação explosiva. Marca nossa alma para todo o sempre.
Realmente, Rocamadour contemplou minhas expectativas. Cidade cheia de histórias, construída na mais dura rocha, firme rocha, dirigindo suas torres para o céu.

Uma placa no meio do caminho, puxa os visitantes para a realidade histórica. Está escrito: “Você está no coração da peregrinação para orar e admirar”. É isso mesmo, Rocamadour é um local que nos inspira a oração. Outra placa informa:” São Luiz aqui esteve com sua mãe e seus irmãos, para visitarem a capela, em 1244”. Pisar estas pedras, as mesmas que São Luiz e Zaqueu  pisaram,  não tem preço...

Todo o percurso é magnífico! Construções rochosas tão belas quanto imponentes, firmemente preservadas, delicadamente impressionantes, que ficarão indelevelmente gravadas em meu espírito...que ficou enriquecido com tanta beleza... e realidade, que está estampada em todas as esquinas desta linda cidadela medieval, até com placas informativas.

As horas passaram e não nos demos conta do tempo. Enfim,  seguimos viagem para outro ícone francês da idade média: cidade de Carcassone. Previsão de chegada: 19 horas. Quando chegamos a uma cidade francesa, encontramos , como forma de sinalização, uma placa, pequena, com o nome da cidade. Quando  saímos, vemos uma placa igual, com uma faixa vermelha atravessada. Os acessos a estas pequenas e encantadoras cidades, é através de ruelas estreitas, que mal cabe o tamanho de um ônibus, ladeadas por muitas flores e  jardins  bem cuidados.
Pela estrada vemos passar placas indicadoras de Barcelona, ( 300 km), Andorra...Estamos em terras francesas, bem pertinho das espanholas.
Ao aproximar-mo-nos da região de Carcassone, o contorno da cidade medieval aparece no horizonte, em contraste com o por do sol, e arranca uma exclamação de admiração de todos: AH!!!!!!!! que emoção...
Como eu imaginara, durante todo esse tempo, ou melhor, é mais  do que eu poderia ter imaginado em meus devaneios... ela é muuuuito  linda.
Caro amigo, gostaria de  saber sobre Carcassone, e suas histórias? Aguardem a próxima postagem.
Até lá...