quinta-feira, 30 de abril de 2015

Estocolmo –Gamla Stan a rua que é uma festa


 Certamente, o mais representativo cartão  postal de Estocolmo é o bairro de Gamla Stan, que é lindo, lindo !! É  a parte velha e histórica  da cidade, que possui um portal maravilhoso, que nos leva para o seu interior. A principal rua é a Stora Nygatan, super charmosa, com casinhas bem antigas, pintadas de amarelo e laranja, que nos faz lembrar de cenários da  idade média. 

                        

Essas construções  ocupam ruelas bem estreitinhas, calçamento de pedra, e por onde está situado o comércio local, muitos cafés, restaurantes, mercados, lojinhas, (muitas lojinhas),  com um forte apelo visual do artesanato sueco, principalmente os cavalinhos de todas as cores, e as bonequinhas vestidas com seus lindos trajes típicos. Também vemos uma sequência interminável de chapéus vikings.

                                   

                     

 Tudo por aqui é muito caro, como já falei em outras postagens, a Escandinávia   é um dos locais mais caros do mundo. A gente anda, várias vezes por essa rua, curtindo esse clima de plena festa,  até pararmos um pouco em seu ponto central, que é a praça Stortorget, considerada o coração de Gamla Stan, onde está o museu Nobel – Nobelmuseet. 





                           

Este museu conta a história de Alfred Nobel, e a própria trajetória do premio tão famoso. Ele era químico e inventou a dinamite, porém ficou muito abalado com a utilização das suas invenções para fins bélicos,  e assim, legou seu patrimônio a uma fundação encarregada de premiar aqueles que se destacassem por sua contribuição para o bem da humanidade. Era sozinho, sem filhos, e decidiu criar essa fundação com o seu nome, que promovesse o bem da Humanidade – a Fundação Nobel. Os vencedores ganham uma medalha Nobel em ouro e um diploma Nobel .
Auditório onde são entregues os Prêmios Nobels

tapeçarias do Palácio
Interior do Palácio

Painel em ouro - 
Também localiza-se nessa rua o Palácio Real da Suécia ( Kungliga Slottet) e a catedral de Estocolmo ( Storkyrkan).


Retornamos a GamlaStan várias vezes, e foi em uma dessas caminhadas, que aconteceu o impensável para mim. Em pleno clima de festa, com muitos turistas e pessoas de todo o tipo, jovens, idosos, crianças, andando na rua calmamente,  apareceram no céu, vários helicópteros  fazendo manobras. A princípio, não entendemos o que aquilo significava, mas ficamos apreensivos, pois percebemos um movimento estranho nas ruas. Apressamo-nos em sair de Gamla, e quando demos por nós, as saídas de todas as ruas que davam acesso para nosso hotel, localizado na principal avenida de Estocolmo,  estavam fechadas por barreiras  colocadas por  policiais. Apesar de tentarmos de toda forma retornar para o nosso hotel, não foi possível.  De repente, as ruas ficaram lotadas de gente,  mas não de turistas, e sim de manifestantes de rua, que estavam protestando sobre algum problema, que eu não entendi. Conversando com os policiais, fiquei sabendo que tratava-se de uma “ political party”.  Na verdade um protesto, com direito a estampidos de  bombas, fumaça, pessoas mascaradas ( o anônimus também andou por aqui) muitas palavras de ordem, cartazes em punho, muita correria,  e tudo que uma manifestação de rua pede. Ficamos bastante estupefatos com aquela cena, o que me fez pensar: o que esse povo, o mais desenvolvido do planeta está revindicando? Certamente, não é a implementação de políticas públicas, pois estas, por aqui, estão todas em vigor, o que  seria?  Pasmei: era um protesto contra uma marcha convocada pelo partido neonazista. Os suecos estão a duas semanas de eleições gerais aqui neste país.



Vimos cenas de confrontos entre manifestantes, apesar da forte proteção policial.  Pelo menos estavam lá ao nosso lado entre 10 a 14 mil participantes, segundo o noticiado nos jornais. Percebemos, também, que a manifestação era organizada dentro de uma área fechada. Então, para a nossa proteção, e depois de um bom tempo, até digerirmos o que era aquilo, caminhamos para a avenida principal, pois avistamos que lá, não havia sinal de confusão. Parecia mesmo que a rua do lado onde a manifestação acontecia, estava totalmente alheia àquele evento, exceto por  alguns jovens vestidos de preto e mascarados, correndo de policiais, entre a população apressada.
Foi uma experiência inédita na minha vida, nem no Brasil eu vivi isto. Perguntei a um policial a que horas tudo aquilo terminaria. Ele disse às sete da noite, e assim foi. Só voltamos para o hotel depois das sete. Quando lá chegamos, exaustos, encontrei em nosso apartamento, um aviso. Provavelmente estava lá desde a véspera. O aviso relatava  tudo o que aconteceria, com data e hora marcadas, só que nós não percebemos...a cidade avisou largamente à  população sobre o evento, mas nós não atentamos para tal.  Esse acontecimento foi documentado até nos jornais televisivos do Brasil.


domingo, 12 de abril de 2015

O navio Oseberg - o túmulo de uma Rainha



O museu dos barcos  vikings  está situado na Ilha de Bygdoy, em Oslo, na Noruega,e  pertence a Universidade de Oslo.
Passear pela Escandinávia é sinônimo de conviver com a cultura viking, muito rica em lendas e aventuras. Os vikings eram originários dos povos que hoje vivem na Dinamarca, Noruega e Suécia,  que partiram para conquistar  territórios  da Europa  do leste, e oriente, Inglaterra, norte da Alemanha, França  e alguns chegaram até a América do Norte


Através de estudos, já ficou comprovado, que Cristovam Colombo não foi o primeiro homem europeu a chegar à América do Norte, mas sim Leif Erikson, um viking, 500 anos antes de Colombo. Esse fato pode nos dar a dimensão de como este povo tinha habilidades na arte da sobrevivência, principalmente em construir barcos poderosos que ofereciam segurança para  a travessia dos oceanos.

Os vikings eram temidos pela violência de seus ataques. Eles conquistaram as regiões que hoje conhecemos como as  cidades de  Paris, Londres, Jerusalém, Constantinopla e Lisboa. Metade do mundo então conhecido, temia os vikings, pois eles  invadiam, pilhavam, aprisionavam homens e  mulheres livres, para serem seus escravos, e isso inclui o  império Bizantino, Rússia e norte da África.


As embarcações vikings eram importantíssimas nesse contexto, pois  elas eram de alta qualidade, construídas com madeira de carvalho, e sua técnica era primorosa, o que contribuiu imensamente, para tornar os vikings quase invencíveis. Elas eram simples, com aproximadamente 30 metros de comprimento e 5 de largura.


 Então, quando chegamos ao museu Vikingskiphuset ( esse é o nome original ) fomos tomados de grande emoção, pois seu cenário  nos remete a uma realidade bastante impactante. São três embarcações, sendo a mais importante a Oseberg, construída no século IX, medindo 19 metros de comprimento, e que podia contar com 30 remadores. Ela está situado bem em frente a entrada principal do museu. Graças às condições geológicas do terreno em que o barco estava enterrado, o mesmo foi preservado,  assim como os pertences,  que em seu interior  foram encontrados. Na época viking era costume reis e rainhas serem enterrados em navios, e no caso do Oseberg,  foi constatado o sepultamento de uma rainha, com muitos pertences.


Os outros dois barcos são o Gokstad, à direita do Oseberg, e o Tune à sua esquerda. Também, existem pequenas varandas, ao longo do espaço do museu, que os visitantes podem subir  para terem a visão do interior das embarcações. O museu expõe, ainda, artefatos e  apetrechos que foram encontrados com as embarcações.




Realmente, impressiona saber que estas embarcações ficaram no fundo do mar por mais de mil anos, e que hoje, estão tão preservadas, expostas para o público em geral, especialmente o  interessado em história, contribuindo tanto para o nosso conhecimento. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Oslo – Uma cidade no meio do parque

Nossa chegada a Oslo se deu de forma estranhamente delicada. Não vimos a pior parte da cidade, como é comum, quando se chega a uma cidade grande, como construções velhas, ou fabricas desativadas, etc, pelo contrário, ainda estávamos nos deleitando com um cenário verdejantemente bucólico, com casinhas coloridas e rios margeando a estrada, quando de repente, aparece a  cidade. Simples assim.
Apesar de Oslo ser a capital e a maior cidade da Noruega, é comparativamente pequena em relação a outras capitais    europeias, o que é uma vantagem, pois nos permite conhecê-la mais amplamente.










 O cais de Oslo é chamado doca Oslofjord , um dos locais mais charmosos da cidade, onde vi pessoas dançando, ao som de música melodiosa, alegre e vibrante, como se lá fora um salão de danças. Impressionante! O sol, por aqui, é venerado,  lembrando  que estamos em Oslo, em pleno verão, então as pessoas estão muito felizes, radiantes mesmo. O inverno aqui  tem temperaturas sempre muito abaixo de zero, que deve dificultar em muito a vida dos cidadãos . Em frente as docas ficam os restaurantes, bares e  cafés, charmosos e sempre lotados.


 Entre as atrações que a cidade nos oferece, uma delas é admirar a obra do famoso pintor Edward Munch, que está exibida na Galeria Nacional de Oslo. Estou me referindo à tela O Grito. Foi muito importante tê-la visto pessoalmente. A obra representa uma afigura andrógina em um momento de profunda angústia e desespero existencial. Seu estilo é expressionista, foi pintada em 1893. A figura central está justamente na doca Oslofjord, ao pôr do sol, exatamente naquele píer  pelo qual passeamos. Identifiquei assim que vi. As cores fortes, e o sentimento de desespero que a tela nos passa é incrível. Esta obra adquiriu um estatuto de ícone  cultural, comparado a Monalisa. Foi emocionante admirá-la.



Emocionante também, foi visitar o Centro Nobel da Paz que funciona em um prédio de uma antiga estação de trem vitoriana, no coração de Oslo, com uma exibição de alta tecnologia da vida, trabalho e filosofia dos premiados com o Nobel. Interessante, que aqui, é conferido apenas o premio nobel da Paz, pois os outros prêmios , são conferidos na Suécia, logo ali, sua vizinha. Os prêmios Nobel são atribuídos àqueles que durante o ano anterior tenham prestado um valioso contributo à humanidade nos setores da Física, da Química, da Fisiologia e Medicina, da Literatura, da Paz e da Economia.




 

 Percorremos várias vezes a movimentada Avenida Karl Johan Gate, com seus jardins, cafés, intenso comércio, restaurantes. Nas calçadas dos jardins de Oslo, estão escritas várias frases das peças do autor Ibsen, famoso em todo o mundo por suas peças teatrais, em especial “Casa de Bonecas”. Essa peça começou a ser escrita em 1878 e foi concluída em 1879, sendo representada pela primeira vez no “Det Kongelige Teater em Copenhague. A peça foi encenada nos principais teatros escandinavos provocando muitas polêmicas, mediante o teor, que denunciava a exclusão das mulheres na sociedade burguesa. Com essa peça, Ibsen passa a ter destaque dentro e fora da Escandinávia.

A peça é um drama em que Ibsen questiona as convenções sociais do casamento, retratando a hipocrisia e convencionalismos da sociedade do final do século XIX.
 



Outras atrações também nos encantaram: a catedral de Oslo foi construída em 1697. O Parlamento tem uma fachada de tijolos amarelos inconfundível. É chamado de Stortinget. Também admiramos a arquitetura barroca do Teatro Nacional. Oslo é a cidade mais cara do mundo. Aqui, tudo custa 50% a mais do que em outras cidades europeias, principalmente comida. As pessoas ganham bem,  a vida é muito cara, mas ninguém reclama, pois os impostos são usados  para o bem da população.


Não esperava encontrar os descendentes dos vikings, ao dobrar as equinas da cidade, porém,  observando bem a população,  observei rapazes e moças loiríssimos, altos, com aparência saudável. O cenário humano impressiona pela simpatia, educação e alegria, talvez por estarmos no verão... O garçom que nos atendeu em um dos restaurantes na orla do cais, o tal super charmoso, era um perfeito representante nórdico: alto, loiro, olhos azuis, e ainda usava um lenço vermelho  “a La pirata” na cabeça. Talvez, um representante longínquo dos vikings.  Mas foi a sua simpatia que impressionou. Ao perceber que falávamos uma língua estranha a ele, aproximou-se para saber a nossa nacionalidade.  Ele pensou que éramos espanhóis. Ao lhe dizer que somos brasileiros, o rapaz ficou super interessado, com vários questionamentos, quis  saber como foi o movimento brasileiro contra a realização da Copa do mundo no Brasil, pois vira na mídia as manifestações populares acontecidas em nosso país. Sabia sobre as eleições, sobre nossas políticas públicas e o choque das desigualdades sociais. Imaginem tudo isso, inesperadamente, vindo de  um rapaz que depois se disse sueco e não norueguês, ( o que importa?)  interessado nas questões sociais do Brasil. Conversamos, é claro, em inglês, pois norueguês, nem pensar, e ele ficou bem empolgado ... disse que seu sonho é ir para o Brasil, mais precisamente, para o Rio de Janeiro. A comida deixou a desejar, mas o papo foi nota 10!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Visita ao Parque Frogner – Noruega

Este local é mágico!! Aqui estão distribuídas, esteticamente, 120 estátuas em bronze. O escultor  é Adolf Gustav Vigeland, nascido em 1860, que teve uma bela inspiração de representar todo o círculo da vida. O parque é conhecido por Frogerparken, e é lindamente projetado para que, ao longo do caminho, o público tenha uma visão ampla e pessoal de cada escultura. As estátuas são realmente formidáveis, todas nuas, pois o autor quis denotar a atemporalidade de sua obra. Soubemos que a escultura mais visitada é a de uma criança, que é procurada pelo público para um gesto, que aqui na Europa é muito comum, que é passar a mão, pois reza a lenda que assim a pessoa retorna ao mesmo lugar. Daí segue o verdadeiro ciclo da vida: a criança nasce, cresce, expressa sua dor e perplexidade frente ao mundo adulto. As esculturas dos jovens expressam semblantes e posturas sonhadoras e românticas na busca do amor e paraíso prometido, pela descoberta do corpo. Seguem as esculturas representadas pelos adultos, expressando a luta pela vida, competindo e combatendo, ganhando e perdendo. A família  com o pai que ampara e a mãe que orienta, e finalmente, na volta do círculo vital, a inevitável decadência com o envelhecimento e a morte.
O Frogerparken é parada obrigatória para todos que visitam a Noruega.








Visita à casa de Edward Grieg – famoso compositor noruegues

Grieg nasceu na Noruega na passagem do século 19/20 . É considerado um dos mais célebres compositores do período romântico, reconhecido em todo o mundo. Foi contemporâneo de muitos outros famosos, dos quais, humildemente, eu destaco Litz. Confesso que não o conhecia, porém quando ouvi a música “o amanhecer”, logo reconheci, pois ela é muito famosa e popular, na verdade é a suite número 1 da peça teatral Peer Gynt.
Ele era casado com Nina, e foi ela que preparou o acervo deste museu. A casa é linda, aconchegante, ao mesmo tempo sofisticada. Era a sua casa de campo, cheia de detalhes da vida do casal, que nos permite compreender a arte deste compositor. O museu é conhecido por Troldhaugen, fica próximo a  Bergen mesmo. O prédio de exposições, com sua arquitetura contemporânea e convidativa, abriga uma mostra permanente sobre Edvard Grieg. Ao lado do museu fica “Troldsalen”, um excelente salão para música de câmara, que é palco de cerca de 300 concertos e recitais por ano. Durante o Festival Internacional de Bergen, há apresentações todos os dias. No amplo terreno de sua propriedade, Grieg preservou a paisagem e as matas originais.

Foi muito interessante visitar o museu, antiga residência de  Edward Grieg, e a sala de apresentações de concertos, que fica no mesmo ambiente. Porém, o que impressiona mesmo, é o espaço onde elas estão instaladas. Pleno romantismo, beleza natural, paz bucólica, um verdadeiro encantamento.  O caminho, semelhante a uma estreita estrada de terra, margeada com exuberante vegetação, nos permite ver  bem de perto as casas com os telhados cobertos de grama, muito comuns na Escandinávia, por conta do frio intenso. Além de fundamentalmente úteis, elas também  são decorativas. 
Aquela manhã estava fria, tinha chovido na noite anterior, porém, neste momento, o céu começou a abrir em um azul limpo, que nos deu ânimo para caminhar por aqueles lindos jardins naturais.Tivemos a inesquecível oportunidade de assistir a um concerto das músicas desse compositor, naquele salão incrível. O palco é instalado de forma que os espectadores podem ver a magnífica paisagem do local, atrás da concertista, de modo que a paisagem interage com o palco e com o artista, e com o próprio público. A pianista executa a peça, e o som invade o ambiente que já é premiado com a  visão de uma imagem bucólica lindíssima, águas de fiorde, montanhas, céu  azul, solo verdejante, sol, nuvens brancas. Estou adorando a Noruega !