Seguimos para a histórica e linda região de Perigord, Quercy e Gasconha, que foi palco da Guerra dos Cem Anos e de constantes guerras religiosas. Nosso destino é Sarlat-la-Caneda, que atingiu seu auge nos séculos 12 a 14 e se tornou famosa por possuir belas fachadas medievais e renascentistas.
Hoje faz frio e chove. Estamos com 11 graus.
Nosso hotel é o Des Selves. Pequeno, aconchegante, um pouco distante do centro medieval. Por isso, quando nos dispusemos a andar pelas ruas simples, comuns como qualquer outra rua de cidade do interior, até uma feira, não imaginei que iria encontrar aquela cidade completamente preservada. A rua dos Consuls dá acesso a um túnel do tempo, pois pisando essa rua, de imediato, somos transportadas ao século 14. Linda, linda e linda, essa cidade de pedras amarelas, onde acontecia uma apresentação artística no meio da praça medieval. Que clima de festa...música, muita gente, frio, muitos recantos encatadores, construções tipicamente medievais.
Sarlat tem um dos centros renascentistas mais bem preservados da França. É também a cidade que atrai maior número de turistas na região, já que é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco e é hoje a cidade européia que possui o maior número de edifícios tombados por quilômetro quadrado.
Visitamos a catedral gótica de Saint Sacerdos e a Lanterna dos Mortos, uma espécie de torre do século 12, com cerca de 10 m de altura, onde antigamente era colocada uma luz para guiar as almas dos mortos ao céu. De lá, é possível apreciar os tetos da cidade.
É também lá, em um palco montado atrás da catedral, que é realizado o festival de teatro de Sarlat, e onde estava acontecendo uma apresentação coreografada por meninas com roupas coloridas.
É também lá, em um palco montado atrás da catedral, que é realizado o festival de teatro de Sarlat, e onde estava acontecendo uma apresentação coreografada por meninas com roupas coloridas.
O mercado coberto que funciona dentro de uma antiga igreja, aberto nas manhãs de terça a domingo é super interessante e charmoso. Barracas vendem produtos frescos e ingredientes típicos da região. As lojas que vendem foie gras são as mais numerosas.
Por toda a cidade encontramos vários comércios vendendo foie gras, acompanhado de um patinho de cerâmica ou de tecido, embelezando a loja e as embalagens. As lojas, tanto na parte externa, quanto interna, são lindamente decoradas com motivos bucólicos, casais de patinhos vestidos com roupinhas quadriculadas e com chapéus. Sem falar das flores absolutamente frescas e vibrantes.
Os azeites, óleos em geral, cereais, são o forte dessa região. As trufas também, e as negras são as mais procuradas apesar de caríssimas, sem falarmos dos vinhos, que são fantásticos.
Esta cidade tem um diferencial, pois ela é habitada normalmente, não é um museu, como outras, onde as pessoas trabalham, vendendo artesanatos ou mantendo outros comércios, mas moram em outras cidades . Sarlat tem 10 mil habitantes e se desenvolveu a partir do século VIII em torno de uma abadia. Os famosos intelectuais La Boétie e Montaigne nasceram aqui.
Dá um enorme prazer caminhar observando e fotografando tantas casas, torres, restaurantes, cores, flores, tudo é bonito...
Procurando um jantar nesta linda cidade, vimos um restaurante chamado brasserie Le Glacier. Qual a nossa surpresa, ao ouvirmos o garçon falar português. Era o que estava faltando para entrarmos e escolhermos um belo prato. Ainda tivemos oportunidade de conversarmos com o português, que muito cordial, disse-nos que gostaria de conhecer o Brasil. Ficamos um bom tempo , ali, sentados, na área externa do restaurante, degustando nosso jantar, e apreciando o movimento. Aqui, tudo é calma, arte e cultura. Talvez com um pouco de monotonia para quem participa dessa dinâmica, no dia a dia, mas para mim, que estou conhecendo o interior da França, e agregando ao meu universo tantos conhecimentos, culturas, sabores, cores diferentes, é renovador, e me dá a impressão que a terra parou de girar. Ficou parada também, apreciando tamanha serenidade...
Retornamos ao nosso hotel, a pé, sem esforço. Estamos mais adequados ao fuso horário francês, e portanto, mais confortáveis. A chuva parou, e um solzinho apareceu abençoando a bela cidade, e a todos nós.
Amanhã vamos para Rocamadour, e sei que vou adorar, pois é um dos destinos mais esperados por mim.