sábado, 24 de março de 2012

Hospices de Beaune - Um rico hospital para os pobres doentes

                                                                                       Vamos rumo a Borgonha, que é a região mais rica da França, seja na história, cultura, gastronomia e economia. Passamos por importantes áreas vinícolas: Beaujolais, Mâconnais e Côte Chalonaise. Nosso destino é Beuane, mais uma cidade  encantadora desse país. Por aqui, é muito difícil fazer alguma restrição alimentar. Em uma viagem como essa, onde a gastronomia faz parte do roteiro, como resistir a doces, queijos, e pães?... deliciosos croissants, biscoitos, bolos, vinhos, etc,etc...

Vamos ter degustação de vinho. Não vai ser possível encarar, apesar de gostarmos , eu e Léo não passamos bem quando ingerimos vinho, porém vai ser muito interessante visitarmos uma verdadeira cave francesa.
A paisagem não poderia ser mais incrível:  maravilhosos vinhedos, ladeados por arbustos de  flores  amarelas,  as giestas, que  desfilam  perante os nossos olhos, enquanto vamos rodando por essas estradas de França. O dia, hoje, está particularmente perfeito. Esta parte do mundo é muito concorrida no turismo. Pessoas oriundas de todo o mundo vem aqui, para desfrutarem dessas belezas: comida, vinho, perfume, cidades encantadoras e charmosas. Já dizia Nitche,” um artista não tem lugar no mundo, exceto em Paris.” E eu, entendendo o espírito que este pensamento tem, prolongo a idéia dizendo que não só em Paris, mas em toda a França. Aquela música de gaita, que lembra Paris, está sempre fazendo o meu fundo musical... com certeza tudo isto não é novidade para mim...já vivi isto outras vezes. Está um calor incomum hoje, o dia lindo, azul, sol dourado, brisa leve inspirando bons pensamentos. Aqui, não penso em nada da minha vida real, ela ficou lá no Brasil. Viagem é essencial, é terapia pura, é combustível para  vida.

Cotê de Beaune se estende por cerca de 25km e inclui uns 20 vilarejos. Começa ao norte da cidade de Beaune, onde as uvas predominantes são as Pinot Noirs. Os vinhos brancos surgem ao sul de Beaune, em Mersault e Puligny-Montrachet. Aqui os vilarejos mais conhecidos são: Ladoix-Serrigny; Pernand-Vergelesses e Aloxe-Corton.

A cidade medieval de Beaune é o centro do comércio dos vinhos da Borgonha.
 A cidade fortificada atrai turistas o ano todo  mas fica lotada no terceiro final de semana de novembro quando ocorre o festival do vinho.
Logo que chegamos, visitamos o  Hospices de Beaune, que  é uma instituição famosíssima, de caridade, fundada em 1443, quando Nicolas Rolin, chanceler do ducado da Borgonha, usou sua fortuna para fundar um hospital e um asilo para indigentes.  O hospital virou museu, exibindo os ambientes exatamente como eram quando funcionavam, tratando dos pacientes. Externamente, o prédio é lindo. Parece um palácio. O teto é formado por telhas  coloridas, muito lindas , que parecem, até, cristais.

Nas enfermarias, vemos várias camas, com dosséis, que eram ocupadas por dois pacientes.
Estátuas de cera de freiras, enfermeiras, doentes, estão posicionadas por todos os lugares, para dar a impressão do dinamismo que era naquela época. Além disso, o” hospice”  ainda tem uma bela exposição de instrumentos médicos, uma cozinha incrível, uma antiga farmácia, tipo botica, uma capela.

No local, existe uma câmara, onde está guardada  uma preciosidade do artista flamengo Roger Van der Weyden, uma pintura do Juizo Final,  a pintura é  composta de partes, chamada de “retablos”: aberto vemos todas as partes, fechado vemos algums que os artista intencionalmente queria exibir. 
O local é escuro, para melhor conservar o material. É uma pintura bem grande, que ocupa toda uma parede. Só de olhar, já se tem um idéia de tal riqueza. Com a ajuda de um equipamento, uma lupa gigante,  o visitante tem a possibilidade de melhor ver os detalhes da pintura. Muito legal. A visita foi em espanhol.
Após o almoço,  conhecemos uma cave, com direito a degustação. Ouvimos o guia  local dissertar sobre os   sentidos do vinho, que são: a visão: no ritual de degustação, admirar a cor da bebida é o primeiro passo. Prosseguido, o olfato:  sentir todos os aromas do vinho é uma etapa que sempre antecede a degustação propriamente dita. O tato, funciona quando o vinho vai ao copo na temperatura certa, que varia de acordo com o tipo da bebida. O paladar reconhece combinações ajustadas entre vinhos e uma seleção imperdível de petiscos: queijos, doces, frutas secas, salames, salmão, patês, caviar, presuntos,  etc,etc. Nós não tomamos o vinho, (que crime!) e estreitamos laços de amizade com os amigos do grupo ao doarmos nossa parte na degustação.
Aproveitamos a tarde gostosa para caminharmos pelo belíssimo centro histórico da cidade, cheio de sinuosas ruas estreitas, com pitorescas casas e construções de pedra. Lindinho!! Comprei dois pares de sapatilhas,  pois meus pés não agüentam mais o calor e estão inchados, dificultando minha locomoção.Isto acontece sempre, devido as nossas longas caminhadas, dia após dia.
Ainda deu tempo para conhecermos o Carrefour, que fica em um mini shopping. A parte de queijos é um espetáculo. Prateleiras super bem sortidas com lanches, sanduíches, bolos, sucos, queijos, tortas de todos os tipos, morangos deliciosos...tudo bem em conta.  Apesar da dificuldade da língua, conseguimos nos expressar para comprarmos e pagarmos. O Léo está sentindo-se em casa...

Na televisão, o jornal local anunciou sobre o vulcão que já fechou o aeroporto de Londres. Estamos pertinho de Londres. Fiquei apreensiva...mas resolvi entregar para Deus, pois vulcão não se controla. Nosso apartamento é excelente. Para encerrar o dia, e  relaxar à noite, tomei um longo banho de banheira, um comprimido para dormir, e acabei de ler o livro que trouxe. Adormeci com as lembranças felizes do dia.   Amanhã, vamos para Djon.






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