Chegamos a Arles em uma tarde alegre, pintada com cores vibrantes, com matizes de dourado. No ar, um fragância de lavanda.
Arles está envolvida por um ambiente de beleza excepcional nas margens do rio Ródano, rodeada pelo árido planalto do Crau, pelos Alpilles e pelas terras úmidas da Camarga.
Antiga cidade da Gália Romana, data do Século 7 antes de Cristo e conserva importantes vestígios desta época como a Arena, o Teatro e os Banhos Romanos de Constantino. Estes vestígios Romanos estão perfeitamente integrados no casario da cidade que ainda apresenta ruas tipicamente medievais. Arles é a porta da Camarga, terra dos Ciganos. Hoje as Corridas de Touros e Touradas são feitas na mesma arena usada há 2000 anos pelos romanos.
Antiga cidade da Gália Romana, data do Século 7 antes de Cristo e conserva importantes vestígios desta época como a Arena, o Teatro e os Banhos Romanos de Constantino. Estes vestígios Romanos estão perfeitamente integrados no casario da cidade que ainda apresenta ruas tipicamente medievais. Arles é a porta da Camarga, terra dos Ciganos. Hoje as Corridas de Touros e Touradas são feitas na mesma arena usada há 2000 anos pelos romanos.
Arles é tambem uma cidade de festivais, arte e cultura. Van Gogh esteve lá com o seu amigo Paul Gauguin e pintou 200 quadros. Picasso, um amante de touradas, inspirou-se nela e pintou 2 quadros e 57 desenhos.
Imediatamente, Arles me encantou. Na verdade, nunca ouvira falar dessa cidade. No entanto, fui arrebatada por sua história, suas cores, as construções milenares expostas a céu aberto, como um troféu daquele povo.
“As Arenas de Arles e Nîmes, em França, são os dois exemplares de arenas do mundo romano que ainda se encontram em melhor estado de conservação. A arena de Arles poderá datar da época de Augusto. A de Nîmes é uma das que se inspiram no Anfiteatro de Flávio em Roma (Coliseu). É possível estabelecer uma ligação entre os dois edifícios, ambos erigidos durante a segunda metade do século I a. C., pela sua estrutura exterior e pelas suas dimensões. Estão integradas num conjunto classificado pelo Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981 e designado Monumentos Romanos e Românicos de Arles.”
A guia Mary nos levou até o anfiteatro.
Inspirado no Coliseu de Roma, construído pelos romanos em 90, a Arena de Arles é a maior atração turística da cidade. Na época do império romano, era palco de corridas de carruagem, e sangrentas batalhas de gladiadores.
A foto dos corredores e escadas, foram tiradas, exatamente, do local, onde, no passado, os gladiadores caminhavam, talvez, pela última vez, rumo a sangrenta luta.
Este foi um dos ponto altos da visita a Arles. O outro, foi o café que Van Gogh freqüentava. Segundo Mary, naqueles tempos, pela manhã, aconteciam as lutas de gladiadores contra leões, e à tarde, contra outros gladiadores. Estas atividades, eram consideradas alta diversão para o povo.
Quando Napoleão III foi imperador, sua esposa tinha linhagem espanhola; pediu ao marido que transformasse o anfiteatro, em arena de corrida de touros, onde os mesmos eram sacrificados com as manobras dos toureiros.
Caminhamos pela bela Arles, ouvimos sua história na praça principal. Porém o que mais me arrebata nesta cidade, é o clima de arte e cultura que os famosos pintores do início do século 20 emprestam a cada rua, esquina, café, jardim. Ninguém menos que Gauguim, Paul Cézanne, Picasso, e o próprio Van Gogh foram os mais célebres personagens da cidade. A dramaticidade da história de Van Gogh me sensibilizou muitíssimo. A história de sua vida é bastante conhecida, e ganha contornos irresistíveis, quando nos vemos sentados no café em que pintava seus famosos quadros, ou quando visitamos o hospital que o abrigou, ou mesmo só em apreciar os vastíssimos campos de flores e vinhedos da Provence. O café que ele freqüentava mantém-se intacto, só mudou o nome, de Terraço , para Café Van Gogh,. Foi um prazer enorme posar em frente deste café, que tem o quadro do grande pintor, retratando o próprio café. Emocionante.
A pintura é conhecida por “O terraço do café”, na Place du Forum.
É uma pintura a óleo colorido executado pelo artista holandês, em uma tela preparado industrialmente de tamanho 25, em meados setembro 1888. A pintura não está assinada, mas é descrita e mencionada pelo artista em suas cartas em várias ocasiões.
Ainda hoje, os visitantes podem tomar o lugar no canto nordeste da Place du Forum, onde o artista montou seu cavalete, e sentir-se parte daquela paisagem tão real.
“Vincent Willem van Gogh nasceu em 30 de Março de 1853. Foi um pintor pós-impressionista neerlandês, freqüentemente considerado um dos maiores de todos os tempos. Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, cometendo suicídio. A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. Van Gogh é considerado um dos pioneiros na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas frentes da arte do século XIX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstracionismo.”
Também visitamos o hospital em que ele foi tratado, local que inspira calma, muito florido, atualmente local revitalizado, com muitas lojinhas de artesanato. Comprei uma camiseta com a estampa do quadro “os girasóis”.
O quadro abaixo, está afixado em um cavalete, no pátio do próprio hospital. Foi muito impressionante estar presente em Arles, conhecer a história de Van Gogh, sentir até a presença que o seu espírito empresta nesses lugares onde sua passagem foi tão marcante.
Há pessoas que apesar de terem um vida curta, e “sem importância” aos olhos dos mais insensíveis, ressurge de tal forma, pela força de sua arte, reconhecida pela humanidade, que penso que, uma criatura que viveu 36 anos, torturada por uma doença mental, e que acabou dando cabo da própria vida, nos inspira pensarmos, em conceito de loucura...
| Hospital onde Van Gogh ficou internado |
Ao retornarmos ao hotel, cujo nome é Julius Caesar, como de costume, gosto de acompanhar notícias locais, e programas de televisão. Estava passando na TV da suite do nosso apartamento, um documentário com Jean Paul Belmondo, o famoso, e já idoso ator frances. Ele está participando do Festival de Cinema em Cannes, cidade vizinha a Arles. O programa foi super legal. Relembro antigos filmes vistos durante minha adolescência, que me fizeram voltar ao passado, me conectando, ao mesmo tempo, a este tão presente momento em Arles. Belmondo está muito elegante, continua charmoso, rico, com belas e jovens mulheres ao seu lado.
Amanhã, partiremos para Saint Tropez.
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