A viagem de avião foi muito boa.
Apesar de ainda estarmos sob a
influência do medo que o terremoto nos
causou, ficamos tranquilos. Quase onze horas depois estávamos aportando no
aeroporto de Milão, onde o translado nos esperava. Uma senhora elegante,
estressada e simpática nos recebeu para nos levar ao hotel no qual nos
hospedamos, o Milano Scala, situado na
via Del Orso,7. Durante o percurso, tentei trocar algumas palavras com ela,
porém, a tal senhora, que também era a motorista e carregadora de nossas malas,
não me deu trégua, só falava do trânsito
horrível de Milão, (que eu não achei), das dificuldades da vida, e do
tal terremoto. Foi aí que me animei um pouco para saber mais detalhes, ao que ela falou para
não nos preocuparmos, pois Milão não sofreu tanto assim, o pior mesmo, seria, se nós fossemos para Parma, ou Modena. Imagina
!!! era o nosso destino. . .
Enfim, relaxamos no hotel,
tomamos um drink e coquetel de boas vindas, e partimos para conhecer o ícone da cidade, que é uma das mais
dinâmicas desse país. Milão é conhecida mundialmente como a capital do desing,
com maior influência global no comércio, na indústria, música , desporto,
literatura, arte e mídia, tornando-se uma das cidades principais do mundo.
A tarde está linda... até
esqueci que ontem, de manhã a TV
anunciava que o terremoto no norte da Itália fora tão forte, que até
Milão sentira o tremor. Nas ruas, não
vimos nem sinal de pânico, ou apreensão, ou mesmo de estresse ou tremores.
Parecia que o terremoto anunciado, acontecera no Brasil, pois tudo, e todos,
estavam muito calmos. Andamos a pé até a “Piazza do Duomo”, apinhada de
turistas e locais.
Em Milão, quase tudo gira ao redor da Catedral, a terceira maior igreja da
cristandade depois da Basílica de São Pedro, em Roma, e da Catedral de Sevilha. No
telhado, as centenas de agulhas
altíssimas, de arcos e gárgulas, estátuas e cariátides esculpidos em mármore, impressionam tanto quanto sua fachada, vista do nível da
rua. A mais majestosa das imagens é a estatua dourada da Madonnina
do Perego, situada no topo da agulha maior, onde foi colocada
em 1744.
É
impressionante a construção da catedral, estilo gótico, não há um milímetro dela
que não seja ornamentado desde a fachada até ao fantástico telhado. Lembra os castelos
de areia que as crianças fazem, deixando escorrer areia molhada entre as mãos,
construindo agulhas altas finalizando o telhado. É tão linda, que a gente pode
ficar admirando-a , sem repousar o olhar.
A
catedral tem 157 metros de comprimento, 109 de largura, cinco naves em seu
interior, 45 metros de altura, divididas em 40 pilares, com capacidade de
abrigar 40 mil pessoas. Foi construída em mármore de Candoglia, o que lhe
confere uma brancura singular, levou 600 anos para ficar pronta. Para que essa
beleza toda possa ser admirada, o povo sofreu muito, pois seu custo foi
altíssimo.
A praça tem 17 mil metros quadrados, rodeada de
prédios e frequentada por pombos, a exemplo de Veneza. Ela é o ponto
centralíssimo da cidade. É por ela que temos acesso, além da Duomo, à Galeria
Vitorio Emanuelle, e ao palácio Carminati, e também, a badalada Via Mercanti, a mais movimentada e
comercial rua da cidade.
A Galeria Vitorio Emanuele é um
verdadeiro encanto, por conta de sua elegância e sofisticação. Ela é formada
por duas arcadas perpendiculares ladeadas por prédios em estilo clássico. Tem a
altura de um prédio de quatro andares. Impressionou-me
as cúpulas de vidro, representando figuras da Ásia, Europa, América e África . O chão é construído por mosaicos coloridos,
de uma precisão e elegância sem par,
destacando o brasão da família de Vitorio Emanuele, que foi o primeiro rei da
Itália Unida. Ela foi projetada pelo arquiteto
Giuseppe Marangoni (que morreu ali em 1877) e construída entre 1865 e 1877. Muita
gente circula nessa Galeria, que nem deveria ser chamada assim, pois o título
não está a sua altura. Em seu interior, existem diversos restaurantes
elegantes, lojas de grife, cafés,
antiquários, livrarias, um hotel de
luxo,e muita gente fotografando, ocupando os cafés e restaurantes, assim como
nós, que curtimos essa
atmosfera particular neste antigo lugar de descontração.
Ficamos
por algum tempo desfrutando do ambiente
desta praça, conhecendo seus encantos, fotografando, observando a calma
de um fim de dia de semana, que deve ser tão igual a todos os dias desta
cidade. As pessoas elegantes, caminhando, calmamente pelas ruas limpas. Um
simpático senhor idoso disponibilizou-se a nos fotografar. Até essa gentileza recebemos.
Terremotos? Não passaram por aqui...
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