segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Saint Michel - pedaço da Europa medieval que sobreviveu aos tempos.




Em uma manhã fria e bela, saímos de Dinard,  e seguimos viagem para o Monte Saint Michel, local que ansiava conhecer desde há muito tempo.

Em todas as pesquisas que fiz, Saint Michel aparecia para mim com enorme fascínio, por ser uma abadia secular, divisa entre a Bretanha e a Normandia. É um dos lugares turísticos mais visitados da França, patrimônio universal da humanidade.  As fotos na internet, focam uma enorme construção, como um palácio no topo de um rochedo, cercado de águas por todos os lados, parecendo estar isolado no meio do oceano.


Que absurdo de monumento!
À medida que nos aproximávamos do local,  a silhueta do morro se tornava visível no horizonte, o céu cinzento das primeiras horas da manhã conferiam uma dramaticidade extra ao local.
A primeira foto tirada, foi no solo que é inundado periodicamente, pelo mar, com o imenso monte ao fundo.A costa desta região francesa, é o lugar do mundo onde ocorrem os maiores desníveis entre marés altas e baixas, podendo a diferença chegar a quinze metros. Isto quer dizer, que, onde eu estou na foto, com ônibus e carros estacionados, é totalmente inundado por águas. Isto não é incrível?? Por isso e outras magias,o Monte Saint Michel se destaca como  um lugar especial no planeta, diferente de qualquer outro lugar. Dependendo da condições das marés,  a abadia fica envolta  por um areal sem fim, a dez quilômetros de distância do mar, ou então completamente envolvida pelas águas, como se fosse uma ilhota, ligada à terra firme somente por uma estradinha, que impede que o local fique isolado durante as marés cheias.
Em outras palavras, o mesmo local, dependendo da hora ou do dia de sua visita, poderá assumir um visual e situar-se num cenário completamente diferente.
A pergunta que fazemos  ao deslumbrarmos a magnificência desse monumento, é: porque essa abadia foi construída em local de tão difícil acesso, e em uma época que a tecnologia não ajudava a complexidade da construção?
A origem exata da cidadela, não é conhecida em detalhes, os historiadores dizem que foi  por motivos religiosos, políticos e militares, questão de defesa, contra os invasores, é claro. Iniciou no ano 709, quando surgiu a primeira igrejinha sobre o rochedo, obras diversas foram contribuindo para que, ao longo dos séculos, o local assumisse a forma que possui em nossos dias.




É claro que existe uma lenda que justifica a construção do monumento.  Conta-se que nesse mesmo ano,  o bispo da cidade de Avranches sonhou, ou teve uma visão com o Arcanjo São Miguel, que determinou  a realização de uma grande prova: a construção de uma capela no topo do rochedo, isolado  à beira mar. O Senhor ficaria muito feliz, e protegeria  todos da cidade dos freqüentes invasores.
Quando a tarefa foi cumprida, foi colocada no topo da capela, uma imagem do arcanjo São Miguel, que até hoje, está lá, e  podemos admirar com emoção.

O monte passou por muitas situações, desde invasões de inimigos,  acolhimento de peregrinos, e mais na atualidade conseguiu atrair a visita de artistas, pintores principalmente, que atuaram como socializadores das belezas do local.


Com isso, não tardou para que  Saint Michel bombasse com a presença de muita gente. Ganhou notoriedade em toda a França e até mesmo além dela. Atualmente, cerca de três milhões de pessoas visitam anualmente o monte, das quais um terço faz a peregrinagem completa, subindo o morro até a abadia. Em dias festivos ou épocas de férias, o número de visitantes diários chega em média a vinte mil pessoas.


Claro que com tanta gente querendo conhecer o rochedo, o comércio proliferou.
 É muito linda a entrada da cidadela, lembrando o que vemos em filmes de cenário medieval. Quando estamos do lado interno das magníficas muralhas,  vemos simpática e estreita ruela de aparência branquíssima, repleta de lojinhas oferecendo tudo que seria possível imaginar sobre o local, com a imagem gravada ou com a forma do monte. São milhares de pratinhos, porcelanas, chaveiros, ímãs, guardanapos, calendários, camisetas, pôsteres, postais, vinhos, biscoitos, doces, chocolates, publicações, DVDs etc etc.  Resolvi comprar várias estatuetas de cavaleiros medievais , para colocar em minha estante do escritório, para nunca mais esquecer o que meus olhos estão gravando hoje.



 Existe, também, o famoso "Omelette de la mère Poulard", especialidade do restaurante Mère Poulard, um dos mais tradicionais de St Michel.. O guia não cansou de sugerir que os  provássemos.
São 200 metros de comércio intenso, colorido, alegre.  Daí para frente  começa a subida propriamente dita ao monte. Passamos por alguns hotéis  e bons restaurantes. Atingimos a  uma imponente porta de madeira, que é  área religiosa do monte, onde então uma nova seqüência de escadas que conduzem os visitantes à plataforma superior, de onde se tem acesso à basílica, que de tão bela,  passou a ser conhecida como "La Merveille", ou seja, A Maravilha. 
O Monte Saint Michel consiste numa rocha de puro granito com 84 metros de altura, sendo que a pequena ilhota tem diâmetro de 800 metros.
Depois de atingirmos a abadia, o roteiro interno continua  por diversos ambientes belíssimos. Salões, arcadas, colunatas, câmaras escuras, rampas, jardins internos, o refeitório dos monges e outros ambientes, todos em pedra, que nos dão a nítida impressão de ter voltado mil anos no tempo, e estarmos percorrendo um local que parou no tempo, em plena Europa medieval (e pensando bem, é isto mesmo).
Os trechos fortificados do Monte St Michel são igualmente impressionantes. Destacam-se as grandes torres (tour Claudine, tour du Nord, tour de la Liberté, tour de l’Arcade, tour du Roi e tour Boucle) que flanqueiam as muralhas da cidadela e o caminho de ronda, que faz o contorno da mesma, e oferece visuais belíssimos.
Num dos planos mais altos do monte, está situado o claustro. Levamos duas horas para completar a visita  guiada. Imaginei muitas vezes os monges andando por aqueles espaços, e também prisioneiros, pois o ambiente revela toda condição para isto.





Num dos planos mais altos do monte, está situado o claustro. Levamos duas horas para completar a visita  guiada. Imaginei muitas vezes os monges andando por aqueles espaços, e também prisioneiros, pois o ambiente revela toda condição para isto.


Tudo, em S. Michel me fez bem, me fez sentir  à vontade, como se não fosse a primeira vez em estar aqui, desci as enormes escadarias com uma leveza  que não me é peculiar.

Saímos de Saint Michel  maravilhados com tudo o que tínhamos visto. É um pedaço da Europa medieval que sobreviveu a inúmeras investidas destrutivas , mas conseguiu impor-se pelo que é... por sua  beleza dramática!
Disse a guia que o governo Frances tem a intenção de isolar o castelo da passarela que conduz à cidadela, pois essa área fica muito cheia de ônibus e carros. O acesso deverá ser de barco.  Felizmente, tive a oportunidade de percorrer esse caminho com as próprias pernas.
horizonte  no alto do Monte Saint Michael
Eu adorei sentir o Monte Saint Michel, vê-lo de perto, percorrer suas ruelas, descer e subir seus muitos degraus, ouvir a guia  contar histórias medievais, entender porque tantas pessoas lotam esse monumento tão espetacular.
Lá em cima do topo do monte, pude vislumbrar a incrível paisagem... mar, areia, nuvem, céu, tudo convergindo no horizonte.

O melhor lugar para se hospedar na região é na cidade vizinha de Saint Malô. Teremos mais meia hora de carro de Saint Michel,  e  é para lá que vamos.

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