segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Castelos Medievais - Chenonceau e Amboise - Tesouros do Vale do Loire

Os dias em terras da França estão realmente especiais, neste maio de 2011. Temperatura agradável, céu azul, chuva nem pensar... ideais para passeios a céu aberto, como os nossos .
O primeiro castelo que visitamos foi o Chenonceau, conhecido como castelo das damas. Apesar de já tê-lo visitado, em 2007, sempre causa-nos impacto sua imponência. O verde dos plátanos que nos introduzem na famosa alameda, contrasta com o azulíssimo do céu. Isto alegra meu espírito. Gosto do clima frio, agradável da Europa.
Chenonceau   é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire e talvez o que carrega a história de alguns dos personagens mais interessantes da monarquia francesa. O Castelo das Damas, como é conhecido, foi erguido no século XVI,  em um modesto domínio feudal.
O castelo é imenso, composto por muitos  quartos. São aposentos construídos para os reis Francisco I, Henrique II e outros nobres. Aqui viveram ainda a rainha Catherina de Médicis e a amante de seu marido, Diana de Poitiers, para quem o rei presenteou o château. Depois da morte de Henrique II, em 1559, Catherina, agora rainha da França, expulsou -a  e a mandou para outro castelo, o de Chaumont-sur-Loire, mas durante muito tempo amargou a presença de Diana como a favorita de seu marido. Nas paredes de alguns cômodos é possível ver as iniciais H e C, de Henrique II e Catherina, que entrelaçadas formam o D, de Diana. Interessante como até os monogramas se entendem e  sugerem o triangulo amoroso. Bem ao lado do quarto da amante fica o Gabinete Verde, de onde Catherina governou a França. A rainha também imprimiu sua marca no castelo, redecorando-o e inserindo suas letras no teto e nas paredes das principais salas, marcando seu território.
No último andar, há um quarto todo pintado de preto e detalhes que lembram o luto. Este quarto abrigou Louise de Lorraine, esposa do rei Henrique III, assassinato pelo monge Jacques Clément, em 1589. Após a morte do marido, Louise decidiu se recolher em Chenouceau para rezar. Sempre vestida de branco, segundo o protocolo de luto real, ficou conhecida mais tarde como a “Rainha Branca”.
Os jardins de Chenouceau  são clássicos. São dois, sendo que o maior pertence a preferida e amante  do rei,  Diana de Poitiers. O menor e mais íntimo foi construído para a rainha Catherina. A decoração dos jardins é totalmente renovada na primavera e no verão  totalmente floridos e impecáveis.
Visitas a castelos medievais são muito interessantes para, quem, como eu, curte o tema. Chenouceau  contempla as expectativas, pois é o único do gênero.  Representa um ícone na França, às margens do Rio Cher. O conjunto composto pelos jardins, (que são impecáveis) pelas linhas elegantes de sua estrutura e pelo  seu interior, belamente cuidado, fazem deste castelo uma atração sem par, em arte e arquitetura francesas.
Chenonceau está situado pouco ao sul de Chambord, que também visitamos em 2007, mas hoje, não será possível.Talvez a única coisa frustrante sobre este local é que, para apreciar plenamente a beleza de seus jardins, um visitante teria que estar a bordo de um helicóptero ou coisa parecida. Os franceses sempre foram excelentes mestres de jardinagem, mas o conjunto da obra, infelizmente, não pode ser adequadamente apreciado do nível do chão.
Aqui, também tem lojinha de lembranças. Resolvi compor uma pequena França medieval, comprando a miniatura de um  cavaleiro a cavalo, com sua espada, elmo com penas, dois cavaleiros à pé, tipicamente trajados e uma dama. Só para registrar essas memórias.
Seguimos para Amboise, outra cidade que tem um castelo com o seu nome.
A cidade de Amboise fica perto de Blois e é o segundo destino turístico para quem vem de Paris. O castelo de Amboise fica no centro histórico, numa elevação às margens do Loire. Foi construído por Carlos VIII e posteriormente ampliado e reformado por Luís XII e Francisco I.
Um pouco da história de Amboise:
“Francisco I levou para Amboise Leonardo da Vinci, que ali viveu seus últimos dias e está enterrado na capela do castelo. Em Clos Lucé, palacete onde Leonardo morou, estão engenhocas construídas a partir dos planos deixados pelo artista e inventor.
Em 1560, durante as Guerras de Religião Francesas, o castelo foi cenário da Conjuração de Amboise, prelúdio dos conflitos entre católicos e protestantes na França. Esta conspiração, engendrada por membros da huguenote Casa de Bourbon contra a Casa de Guise que virtualmente governava a França em nome do jovem Francisco II, foi descoberta pelo Conde de Guise e reprimida por uma série de estratégias.
 Quando isso já estava acabado, 1200 protestantes foram enforcados, pendurados nas muralhas da cidade, suspensos em ganchos de ferro que sustinham galhardetes e tapeçarias em ocasiões festivas e do balcão da Logis du Roy. A Corte teve que deixar a cidade pouco depois devido ao cheiro nauseabundo libertado pelos corpos.
Também vimos os alojamentos do rei, ala Charles VIII, ala Luiz XII, e os aposentos particulares dos reis. “
Ao passear pelos aposentos do palácio, retive minha atenção no tal balcão, o Balcon des Conjures, de onde se tem uma vista magnífica para o vale do rio Loire, e de onde os huguenotes foram massacrados. O filme Rainha Margot, retrata muito bem este episódio. O rio ficou vermelho do sangue daqueles homens. Muito impressionante pisar e tocar essas pedras, que permaneceram no mesmo lugar, que foi cenário de fatos reais tão dramáticos, de livros de Vitor Hugo, e de vários filmes históricos.
Entre os pontos de destaque de Amboise, podem ser também apreciados pelos turistas a capela Saint-Hubert, onde dizem , estão os restos mortais de Leonardo da Vinci que morou em Amboise nos últimos três anos de sua vida. Eu disse dizem, porqu, parece que até hoje, essa história não está bem comprovada.
Grande amigo e mecenas de Leonardo, o rei da França, Francisco I convidou-o a morar em Amboise oferecendo-lhe uma bela casa (dizem que com passagem secreta aos aposentos privativos do Rei...) e uma « mesada » suficiente para que ele pudesse viver tranquilamente os últimos anos de sua vida. Não seria impossível existir a tal passagem secreta, pois o castelo é muito perto da Clos Lucé. O rei, que nesta época tinha 21 anos, reverenciou a sabedoria de Leonardo, e  ficaram muito amigos, o que trouxe um pouco de sabedoria ao rei. Um menino com poder, e um sábio, um gênio da humanidade.
Na sua viagem à Amboise Leonardo trouxe consigo seu aprendiz, (servo e grande amigo), seu burrico e duas obras, entre elas a célebre « Gioconda » (Mona Lisa).
Dentro da  Clos Lucé, podemos ver os aposentos de Leonardo da Vinci, quarto, sala, cozinha ...assim como uma serie de invenções – de tanques de guerra à bicicleta.Descemos a rua estreita onde a Clos Lucé está situada, e no caminho paramos para apreciar várias casas trogloditas, que só víramos à distancia, do ônibus. Elas são incríveis. São cavernas, obviamente, buracos na rocha, que as pessoas aproveitam para complementar a casa. Então elas são garagens, quartos, varandas, e, até, mesmo, uma casa, com mobiliário, flores, tudo arrumadinho. O preço delas é bem caro, mas  não sei quanto.
Hoje, trocamos o almoço por um lanche. Foi melhor assim, pois ficamos com mais tempo livre para passearmos. Panines, sucos e sorvetes, foram o suficiente para nos mantermos até chegarmos ao nosso destino, que é a cidade de  Tours. Está fazendo muito calor. É o  dia mais quente até agora. Depois de andarmos muito, apreciarmos as partes turísticas, compramos doces deliciosos em uma loja com muitas especialidades, com aparência tão boa quanto  o gosto.
Despedimo-nos de Amboise,  super satisfeitos com a visita. Entrar na casa  de Da Vinci, vislumbrar a vista do lindo Rio Loire do balcão, onde atrocidades foram cometidas em nome do  poder da religião, caminhar por esta cidade encantadora, foi uma grande emoção...


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