sábado, 23 de abril de 2016

As Highlands – Terras de William Wallace





Nosso destino é Inverness,  centro administrativo desta região.
As  estradas aqui na Escócia, são  seguras, mesmo resistindo ao constante mal tempo. Hoje, já vimos chuva, neve e sol. É intrigante  este clima daqui da Escócia. Até nas camisetas para turistas, vemos estampadas as ovelhinhas, que são os ícones destas terras, vestidas adequadamente para cada clima, em um só dia. São simpáticas, e retratam muito bem o que acontece aqui. Temos que sair do hotel com um kit Escócia: casaco pesado, casaco leve, guarda chuva, óculos de sol, e o que mais lembrarmos ser necessário, pois a Escócia tem as quatro estações ao longo do mesmo dia. E temos também a “shower,, que nada mais é que um chuveiro que as nuvens mandam de vez em quando, a qualquer tempo.


As paisagens são muito  diferentes em comparação à Europa central. Eu jamais vira montanhas assim, com uma cor que varia entre o marrom, o verde, o branco da neve, e muito próximas  da estrada. São grandes, estão à nossa frente, e ladeando a estrada. Olhando o horizonte das montanhas, vemos as pessoas, os alpinistas, ou mesmo aqueles que estão fazendo trilhas, bem pequenininhos quando comparamos com a magnitude dessas montanhas. 


Não é por acaso que elas são as hihglands tão famosas, que inspiram os pensamentos de tantos autores. Estamos percorrendo o norte da Escócia. Aqui, viveram os famosos clãs de famílias poderosas. A religião também tem nesta região, uma importância expressiva. As terras altas eram povoadas por clãs católicos, e as terras baixas são um bastião  Politicamente, as Terras Altas caracterizavam-se até ao século 18 por um sistema feudal  de famílias poderosas, os famosos  clãs  escoceses. As terras baixas, por outro lado, são um bastião do protestantismo, sobretudo o Calvinismo na sua reforma presbiteriana.
Essas terras, atualmente, são pouco povoadas. Isso se deve a alguns acontecimentos sociais, como a Revolução Industrial que motivou a população a concentrar-se na área urbana.
Enquanto me extasio desta paisagem sem par, meu pensamento voa para o filme Coração Valente, de Mel Gibson, pois ele foi filmado aqui, nestas montanhas, em 1995. O personagem principal que o ator interpreta, é  do escocês William Wallace, que jura vingança contra o clã que assassinou sua esposa. Essa intenção acaba sendo o ponto de partida para uma rebelião dos escoceses contra o tirano rei inglês Edward I , tendo como principal objetivo libertar a Escócia para sempre do domínio da Inglaterra. Isto aconteceu no século13.
É uma história verdadeira, que foi muito bem retratada por Mel Gibson, carreando para ele vários oscars, e, agora, vendo,  sentindo, e me integrando a  estas paisagens, percebo que ele conseguiu passar a atmosfera da Escócia do século 13, seja nos ângulos de câmera, seja em como fazer com que os atores fossem os mais reais possíveis em suas atuações.

William Wallace realmente existiu, e foi um ícone na luta pela independência da Escócia. Tanto que a atmosfera do filme é baseada nisso. É a história do nascimento de um ícone, de um personagem que não somente foi real, mas que transcendeu a sua morte, que foi cruel, com os requintes medievais que conhecemos: forca, arrastamento, corpo picado,  cabeça exposta  na ponte de Londres, etc.

Acho que o nome e a imagem de William Wallace ainda ecoam pelos campos montanhosos da Escócia, e foi exatamente isso senti ao deparar-me com este cenário, pois apesar de estar morto há mais de sete séculos, ele ainda vive na história e na imaginação deste país.



 Destaque especial para  o gado, que é lindo! Eu, tenho admiração por bois e cavalos, acho esses animais muito especiais. Lembro daqueles bois da região do norte do Estado do Rio, que puxam as carroças de feno. Com são altivos, e belos!!  Os touros que vejo por aqui, foram preservados em sua raça, especialmente, porque  em meados do século passado o Duque Archibald d'Argyll decidiu assim fazê-lo, em vez de misturá-lo para fins  comerciais para aumentar a produção. Sua aparência  é diferente. Sua característica mais marcante é uma pelagem comprida e eriçada, que vai desde o ruivo alaranjado a um castanho escuro, com as crinas longas, em especial na cabeça, que se deitam sobre os olhos.
Voltando a falar de  Inverness, ela é uma das últimas cidades da Escócia de frente para o mar do norte.
Localizando-me no mapa, dá um apertinho no coração, estou muito longe de casa, quase no topo do mundo.





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