Estamos viajando pela Itália,
mais precisamente, por seu interior onde cidades encantadoramente medievais, como Bolonha, nosso
destino, continuam mantendo o clima
mágico, bucólico, simples e ao mesmo tempo sofisticado. Cidade histórica que me
fez sentir muito bem acolhida.
Meus conhecimentos sobre esta
bela e fascinante cidade da região da Emília Romana, resumiam-se à sua fama de possuir
a primeira universidade do mundo, que adorei conhecer, a arte e a cultura, que posso comprovar a cada
passo que percorro, nestas calçadas cheias de pórticos ornamentados de bandeiras
coloridas.
Bolonha é vermelha, por conta da cor terracota de seus telhados e prédios. O centro histórico
é lindo com suas construções que lembram uma antiga cidadela. Ela foi conhecida,
no passado, pelas torres, pois na época,
século 12 e 13, haviam mais de 180 delas. Por isso nos coloca a impressão do
novo e do antigo por ser
também uma das cidades italianas mais
modernas e avançadas da Itália.
Bolonha também é Douta, porque é nela que está a
primeira universidade do mundo, onde
estudaram Dante Alighiere e Copérnico. Só este fato já era suficiente para me
provocar arrepios de emoção, quanto
mais caminhar por seus corredores tão
respeitados e famosos. A princípio, a universidade começou a receber muitos
estudantes, porém, não havia lugar suficiente para tantos interessados. Os
prédios, então, receberam extensões em cima das calçadas. Assim foram criados
os famosos pórticos através dos quais, os moradores, e muito mais, os turistas,
se encantam realizando longas caminhadas. Esses pórticos são lindos e
misteriosos e protegem as pessoas do
calor, da chuva e da neve.
Bolonha também é conhecida como La Grassa, quer
dizer, a Gorda, pois é frequentemente descrita como um dos polos gastronômicos mais
procurados e irresistíveis da Itália. Foi dentro das paredes vermelhas da
cidade que foi inventado o famoso molho bolonhesa, por
aqui é conhecido simplesmente de ragu, e a lasanha também. Experimentamos vários
tipos de massas, todas deliciosas.
O conjunto da cidade, agrada muitíssimo. Graciosas
ruas, e um clima muito gostoso no ar, de cidade que se pode andar, ou ficar em
restaurantes sem grandes preocupações.
Jantamos na Piazza Maggiore
onde fica a Fonte de Netuno, que é um dos locais mais charmosos, onde se agregam moradores
e turistas no fim de tarde. A basílica de San Petronio e o City Hall também
fazem parte da praça. O cenário é lindo! Jantamos ao ar livre e tivemos uma experiência
ímpar, para nós, pois presenciamos uma cena a princípio temerosa, porém, ridícula e engraçada: tentativa de furto, ali
pertinho de nós. Um homem surgiu do nada, do escuro dos pórticos próximos, e se
instalou bem atarás de uma das mesas que estavam ocupadas por um grupo bem
grande de jovens. A garçonete, vendo a conduta inapropriada do homem, por três vezes, solicitou seu afastamento, mas ele ignorou, e
num fechar de olhos, furtou a bolsa de uma das garotas dessa mesa. Até aí nada
demais, principalmente, para nós, infelizmente, acostumados a esse tipo de
situação. O que surpreendeu foi a conduta da vítima que saiu correndo atrás do
homem, desapareceram, os dois, no escuro do pórtico, para logo após, vermos ela
socando o homem, recuperando a bolsa, e ele saindo correndo acuado. Em momento
algum foi ajudada pelos muitos rapazes do grupo. Ela voltou calmamente para a
mesa, de posse de sua bolsa, e a vida
continuou. Moral da estória: em Bolonha, os gatunos são apenas oportunistas, e amedrontam-se com a
reação da vítima. Eles não são violentos, (mas as vítimas são...) e os rapazes
não se mexeram porque sabiam que a colega daria conta do recado. Teve lá a sua
graça.
Curtimos muito a
praça de Netuno e realizamos uma visita interna na Universidade. A Fontana Del Nettuno
é uma obra do século 16. Esse conjunto arquitetônico possui a Basilica di San Petronio e os
palácios: Palazzo d’Accursio (ou
Palácio da Comuna), o Palazzo del
Podestà, o Palazzo Re Enzo
e o Palazzo de’ Banchi.
Partindo da praça avistamos as duas torres – Asinelli e Garisenda. A Torre
Garisenda (48,16 metros de altura) e a Torre
degli Asinelli (97,20 metros), ambas construídas com função
militar, de ostentação de nobreza.
Existiam muitas outras torres na
cidade medieval como símbolo de poder das
famílias mais ricas e meio de defesa e ataque entre elas, rivais durante o
período da luta pelo poder. Outras torres mais baixas (definidas
“casas-torres”) tinham, por sua vez, uma função habitacional. No decorrer do século
13, muitas torres foram abatidas ou desmoronaram. Eram utilizadas como
cárceres, torres cívicas, habitações ou lojas.
Quem desejar subir os quinhentos degraus da Torre
degli Asinelli chega ao topo
dos seus 97,20 metros, de onde se tem um linda vista de toda a cidade e da colina de Bolonha. Nós não subimos, porém quem o fez garantiu que
valeu à pena, pela impressão de estarem em um castelo pela sua arquitetura, que
permaneceu intacta, seus alçapões e
escadinhas de madeira. Majestosa é a Basílica
de São Petrônio, edificada entre os séculos 14 e 17. O portal de entrada é adornado com esplêndidos
baixos-relevos e, na
entrada, pode-se admirar uma meridiana (relógio de sol) de 1655.
Caminhando em direção leste,
chegamos na praça Galvani, onde está o Palazzo
dell’Archiginnasio, sede da Universidade de Bolonha instalada entre 1563 e
1803. A riqueza histórica e decorativa é notável.
Paredes e tetos totalmente cobertos com cerca de
6000 brasões heráldicos de estudantes, pertencentes a famílias mais nobres da
Europa, abrigando o famoso Teatro Anatômico, de 1637, uma sala dedicada ao
estudo da anatomia em forma de anfiteatro.
Saindo da Universidade, fizemos uma incursão pela
maravilhosa Galeria Cavour, na Via Farini, para admirarmos
as variadas lojas das marcas mais
importantes do mundo.
Bolonha possui muitos palácios, todos belíssimos e
importantes, como o O Palazzo del
Comune, que sobre sua fachada está instalada uma esplêndida
escultura em terracota dourada e policroma representando “Nossa Senhora com o Menino Jesus. O Palazzo
del Capitano del Popolo, um outro símbolo histórico da época comunal, o Palazzo
del Podestà, cuja construção iniciou em 1200, o Palazzo Re Enzo, edificado em 1245 e o Palazzo della Mercanzia. A poucos passos dali,
chegamos ao Conjunto de Santo Estêvão, também conhecido como as Sete Igrejas de Bolonha (Sette
Chiese). De origem românica, o conjunto nasceu da união dos pátios e pórticos
de sete igrejas e capelas. Caminhando um pouco mais, chega-se aos Giardini Margherita, um dos maiores e
mais encantadores parques de Bolonha,
que toma o nome da esposa do rei da Itália, Umberto I.
Todo o centro histórico oferece ruas cheias de
lojas de todos os tipos, as bem sofisticadas, como Via Farini a Via Ugo Bassi,
a Via Indipendenza e a Via San Felice. Porém para sentirmos o
clima nativo da cidade, existem os mercadinhos
ao ar livre, por onde passeamos e conhecemos os vários tipos de embutidos,
pães, verduras, legumes, frutas e flores, nacionais, que inundam o ar com seus
sabores e perfumes.
Muito mais há em Bolonha, coisas
e locais interessantes para explorarmos. Até mesmo nosso hotel é uma surpresa,
pois foi construído sobre uma via em ruínas. Aliás, nosso primeiro passeio foi
conhecer o subsolo do hotel, que guarda uma parte da via preservada, fato
bastante inédito para a nossa cultura, porém bem comum nesta cidade, talvez em
grande parte da Itália. Próximo destino:
Pistoia.
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